Enquanto a maioria das pessoas ainda paga compras com cartão de débito ou crédito “normal”, uma mudança silenciosa está acontecendo nos bastidores: stablecoins já estão liquidadas por trás de milhões de transações diárias.
E os números impressionam.
Segundo a Insights4.vc, cartões abastecidos por stablecoins movimentam cerca de US$ 18 bilhões por ano, após um crescimento de 1.400% em apenas dois anos.
Isso pode ser o começo de uma nova infraestrutura financeira global — mais rápida, barata e 24/7.
📊 O que está acontecendo?
O crescimento não vem do lojista aceitando cripto diretamente.
Na prática, funciona assim:
Usuário paga com cartão normalmente
O saldo está em stablecoin (USDC, USDT etc.)
A liquidação ocorre na blockchain
Só no final há conversão para moeda local
👉 Para o cliente, nada muda
👉 Para a infraestrutura, tudo muda
Resultado:
taxas menores
liquidação quase instantânea
pagamentos internacionais simplificados
menos dependência de bancos tradicionais
🏦 Visa e Mastercard já entraram no jogo
O mais interessante: não são apenas startups cripto puxando isso.
Gigantes tradicionais estão liderando a integração.
Visa
+90% do volume de cartões cripto roda na rede dela
testa liquidação direta em USDC
operações 24/7, inclusive fins de semana
menos capital parado em contas bancárias
Mastercard
aposta em identidade digital e compliance
lojistas podem escolher receber em stablecoin ou fiat
foco em conectar bancos + cripto
Mensagem clara do mercado:
“Se não dá para vencer o blockchain, integre-o.”
🚀 De US$ 100M para US$ 1,5B por mês
O salto começou em 2025, quando emissores passaram a integrar stablecoins diretamente ao sistema de cartões.
O volume mensal saiu de:
US$ 100 milhões (2023)
paraUS$ 1,5 bilhão (fim de 2025)
Isso é crescimento exponencial típico de infraestrutura em adoção inicial.
🌎 Por que emergentes estão adotando mais rápido?
Stablecoins resolvem dores reais em países com:
moedas fracas
inflação alta
controles de capital
bancos ineficientes
Na América Latina (inclusive Brasil), África e Oriente Médio, o uso é prático:
👉 receber em dólar digital
👉 proteger poder de compra
👉 gastar localmente via cartão
Ex-presidente do BC, Roberto Campos Neto, já destacou isso:
criptomoedas pouco cresceram como pagamento, mas stablecoins viraram “conta em dólar barata” para brasileiros.
Para freelancers e trabalhadores remotos, isso é quase uma conta global instantânea.
💼 Novo modelo de negócios bilionário
Surgiu uma nova geração de emissores “full stack” que:
emitem o cartão
fazem custódia das stablecoins
convertem para fiat
liquidam com Visa/Mastercard
capturam taxas, spreads e rendimentos
Eles estão sendo comparados a:
👉 Stripe
👉 Adyen
Mas focados em dinheiro digital.
Algumas já valem bilhões.
⚠️ Nem tudo são flores
Existem riscos importantes:
Regulação
Governos discutem:
reservas obrigatórias
licenças
limites de rendimento
mais supervisão
Concentração
Liquidez ainda depende de poucos emissores (USDT/USDC).
Dependência das bandeiras
Visa/Mastercard ainda controlam o acesso global.
Privacidade
Cartões continuam sendo sistemas rastreáveis e regulados (menos “cripto nativo”).
🔮 O que isso significa para o futuro?
A tese que começa a ganhar força:
👉 Stablecoins não vão substituir cartões.
👉 Elas vão substituir a infraestrutura bancária por trás deles.
O cartão continua.
O app continua.
Mas o “motor invisível” vira blockchain.
Se essa tendência se mantiver, podemos ver:
pagamentos internacionais quase instantâneos
custos menores para empresas
mais acesso ao dólar global
integração natural entre TradFi + DeFi
E talvez o maior impacto:
stablecoins se tornando o “novo trilho padrão” do dinheiro digital.
💬 Minha leitura
Se você ainda vê stablecoin só como “parking spot de trade”, talvez esteja subestimando.
O verdadeiro produto pode ser:
pagamento global programável, barato e 24/7.
E isso é muito maior que especulação.
