Muito se fala sobre a “queda do dólar” e a movimentação de alguns países para reduzir sua dependência da moeda americana, especialmente com a China puxando essa frente.

O que pouco se fala é do impacto negativo global que uma ruptura brusca causaria.

O dólar não virou moeda de reserva ontem. Ele se consolidou ao longo de décadas porque existe todo um sistema financeiro, comercial e jurídico estruturado em torno dele. Grande parte do comércio internacional, dívidas soberanas, contratos e reservas cambiais ainda estão atrelados ao dólar.

Se países simplesmente despejassem grandes volumes de dólares no mercado, o impacto não seria apenas nos Estados Unidos. Afetaria diretamente quem vende também, porque desvalorizaria suas próprias reservas e geraria instabilidade em importações, exportações e acordos comerciais.

Sim, outras moedas podem ganhar espaço em negociações específicas. Isso já acontece.

Mas substituir a hegemonia do dólar não é um botão que se desliga do dia para a noite. É um processo lento, gradual e cheio de interdependências econômicas.

No curto prazo, falar em “fim do dólar” é mais narrativa do que realidade.

Mudanças podem ocorrer, mas não sem custo e certamente não sem tempo.

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