
Uma promoção que era pra ser coisa simples virou um dos maiores vexames do mundo das criptomoedas. A Bithumb, que é a segunda maior corretora lá da Coreia do Sul, tá correndo igual doido pra tentar recuperar um dinheirão depois de ter mandado, sem querer, 620 mil bitcoins pros clientes numa ação promocional.
O rolo aconteceu porque, em vez de colocar o prêmio em won (a moeda deles), um funcionário acabou digitando em bitcoin. Resultado: em vez de distribuir uns trocados, o sistema despejou bilhões de dólares em moeda digital. Pra você ter ideia, era mais bitcoin do que a própria empresa tinha guardado!
Dos quase 700 participantes, uns 249 chegaram a abrir as tais “caixas aleatórias” e receberam os prêmios antes da turma perceber a barbeiragem. O caso já chamou atenção do governo e abriu discussão sobre se os clientes que venderam esses bitcoins têm culpa ou não.
Resumindo: era pra ser 620 mil won, virou 620 mil bitcoins. Um errinho de digitação que pode custar caro demais. Uai, se isso não é história pra contar tomando um café com pão de queijo, não sei o que é!


Corrida contra o tempo
A Bithumb disse que conseguiu desfazer quase tudo — 99,7% dos lançamentos errados — mexendo lá dentro do seu livro-caixa. Mas, ó, não deu pra segurar o trem todo não.
Segundo o pessoal das autoridades financeiras, 86 clientes aproveitaram a brecha e venderam perto de 1.788 bitcoins nos 35 minutinhos antes de travarem as contas. Uma parte dessa dinheirama foi direto pras contas pessoais, outra virou compra de outras moedas digitais.
Esse movimento bagunçou os preços dentro da própria plataforma, criando uma distorção rápida. Mesmo depois das correções, ainda ficou um rombo de uns 13 bilhões de won (coisa de 9 milhões de dólares) sem volta.
Agora, a corretora tá tentando resolver na base da conversa, chamando uns 80 clientes que sacaram grana pra devolverem voluntariamente em moeda local.
A ideia é evitar briga longa na justiça. Porque, pela lei civil da Coreia do Sul, o juiz pode mandar devolver o ativo original — o bitcoin — e não só o valor em dinheiro. E como o bichinho valorizou depois do rolo, a situação ficou ainda mais delicada.

Regulador chama episódio de “catastrófico”
O presidente do Serviço de Supervisão Financeira da Coreia do Sul, Lee Chan-jin, falou que o trem foi “catastrófico” pra quem vendeu os bitcoins que recebeu.
E não é difícil entender: como o preço do bitcoin subiu, quem vendeu logo de cara pode ter que comprar de novo mais caro pra devolver, ficando no prejuízo.
Lee ainda disse que isso mostrou “problema estrutural” nos sistemas internos das corretoras. O FSS já abriu investigação e o parlamento marcou uma audiência urgente pro dia 11 de fevereiro, chamando a turma da Bithumb e os reguladores pra dar satisfação.
A política tá pegando firme, porque o setor cripto lá já sofreu uns tombos feios e vem sendo vigiado de perto nos últimos anos.
E o crime, existe ou não?
A treta jurídica é grande: será que os clientes que venderam os ativos recebidos por engano podem ser acusados criminalmente?
Tem advogado que acha que sim, outros que acham que não. Em 2021, a Suprema Corte da Coreia do Sul decidiu que criptomoeda não é “propriedade” pela lei penal. Isso pode enfraquecer acusação criminal.
Mas no civil é diferente: pode ter que devolver tudo, porque não pode enriquecer sem causa. Ou seja, crime talvez não, mas devolução sim.
Não foi hack, diz a empresa
A Bithumb soltou nota pedindo desculpa e garantiu que não foi ataque de hacker nem falha externa.
Disseram que vão rever todo o processo de pagamento e reforçar os controles internos.
A segurança dos ativos não foi comprometida, mas ficou a pulga atrás da orelha:
- Como que um erro humano liberou crédito desse tamanho?
- Não tinha limite automático?
- Cadê a dupla checagem?
Pra um setor que vive falando de tecnologia avançada, esse vacilo pegou mal demais. O prejuízo real foi menor que os US$ 42 bilhões que apareceram, mas o estrago na confiança pode ser bem maior.
Setor em alerta
O caso não teve hacker nem falha de código, foi erro humano mesmo.
Isso mostra que, em sistema financeiro, o ponto fraco muitas vezes não é o software, mas o processo.
Agora a corretora corre atrás de recuperar dinheiro e segurar a pressão política.
E fica a pergunta: se um simples erro de digitação causou um rombo bilionário, será que os controles internos dessas exchanges são tão robustos assim?