Nas últimas semanas, usuários da Binance notaram a remoção de pares de negociação envolvendo BERA, como BERA/BNB e, mais recentemente, o anúncio da deslistagem de BERA/FDUSD. Movimentos assim costumam gerar apreensão imediata: estaria o token caminhando para uma deslistagem total.
A resposta curta é: não necessariamente. A resposta correta exige separar sinal técnico, dinâmica de exchange e fundamentos do projeto.
O que significa a deslistagem de um par — e o que ela não significa
A Binance realiza revisões periódicas dos pares de negociação com base em critérios objetivos, como:
volume consistente
profundidade do livro de ordens
eficiência de mercado
interesse real dos usuários
Quando um par específico é removido, isso indica que aquele mercado não apresenta liquidez ou uso suficientes, e não que o ativo foi considerado inválido ou problemático:
É importante reforçar:
👉 deslistar um par ≠ deslistar o token.
Atualmente, BERA continua negociável em pares relevantes, como BERA/USDT, além de manter presença no mercado de derivativos.
O sinal é ruim? Sim. É definitivo? Não.
A remoção de múltiplos pares envolvendo um mesmo token é, sim, um sinal negativo de tração em CEX, especialmente quando envolvem:
moedas-base importantes (BNB, stablecoins)
quedas persistentes de volume
migração de liquidez para poucos pares restantes
No entanto, historicamente, a Binance costuma seguir uma escada gradual, e não decisões abruptas:
remoção de pares de baixo uso
concentração de liquidez
monitoramento prolongado
apenas em casos extremos, deslistagem total.
Muitos ativos permanecem por longos períodos no “degrau intermediário” dessa escada.
O que está acontecendo do lado do projeto Berachain
Do ponto de vista do desenvolvimento, Berachain não aparenta ser um projeto estagnado.
Alguns pontos objetivos observáveis:
Continuidade do modelo Proof of Liquidity (PoL), com ajustes recentes para reduzir distorções de incentivos.
Atividade on-chain mensurável: transações, uso de DEXs nativas e presença de stablecoin própria (HONEY).
Discussões recentes de governança envolvendo redução de inflação de recompensas, indicando resposta a críticas de sustentabilidade.
Repositórios ativos e atualizações técnicas contínuas no ecossistema.
Esses elementos sugerem que o projeto segue vivo do ponto de vista técnico, ainda que enfrente desafios claros de adoção e liquidez em mercados centralizados.
Onde está o risco real, então?
O risco não está na remoção de um par isolado, mas em tendências combinadas, como:
redução progressiva de pares líquidos
queda sustentada de volume spot
dependência excessiva de incentivos para manter TVL
baixa conversão de narrativa técnica em demanda orgânica
Se esses fatores persistirem, o risco de novas remoções aumenta. Se forem revertidos, o histórico mostra que pares podem inclusive voltar a ser listados no futuro.
Conclusão: leitura de sinais, não de manchetes
A situação atual de BERA não aponta automaticamente para uma deslistagem total, mas tampouco deve ser ignorada.
A deslistagem de pares é um alerta de mercado, não um veredito. Ela indica que o ativo precisa:
sustentar liquidez real
atrair uso consistente
converter fundamentos técnicos em demanda contínua
Para o investidor ou observador atento, o mais importante não é reagir ao evento isolado, mas acompanhar tendências de volume, atividade on-chain e evolução do ecossistema.