Nas últimas semanas, usuários da Binance notaram a remoção de pares de negociação envolvendo BERA, como BERA/BNB e, mais recentemente, o anúncio da deslistagem de BERA/FDUSD. Movimentos assim costumam gerar apreensão imediata: estaria o token caminhando para uma deslistagem total.

A resposta curta é: não necessariamente. A resposta correta exige separar sinal técnico, dinâmica de exchange e fundamentos do projeto.

O que significa a deslistagem de um par — e o que ela não significa

A Binance realiza revisões periódicas dos pares de negociação com base em critérios objetivos, como:

  • volume consistente

  • profundidade do livro de ordens

  • eficiência de mercado

  • interesse real dos usuários

Quando um par específico é removido, isso indica que aquele mercado não apresenta liquidez ou uso suficientes, e não que o ativo foi considerado inválido ou problemático:

É importante reforçar:

👉 deslistar um par ≠ deslistar o token.


Atualmente, BERA continua negociável em pares relevantes, como BERA/USDT, além de manter presença no mercado de derivativos.


O sinal é ruim? Sim. É definitivo? Não.

A remoção de múltiplos pares envolvendo um mesmo token é, sim, um sinal negativo de tração em CEX, especialmente quando envolvem:

  • moedas-base importantes (BNB, stablecoins)

  • quedas persistentes de volume

  • migração de liquidez para poucos pares restantes

No entanto, historicamente, a Binance costuma seguir uma escada gradual, e não decisões abruptas:

  1. remoção de pares de baixo uso

  2. concentração de liquidez

  3. monitoramento prolongado

  4. apenas em casos extremos, deslistagem total.

Muitos ativos permanecem por longos períodos no “degrau intermediário” dessa escada.

O que está acontecendo do lado do projeto Berachain

Do ponto de vista do desenvolvimento, Berachain não aparenta ser um projeto estagnado.

Alguns pontos objetivos observáveis:

  • Continuidade do modelo Proof of Liquidity (PoL), com ajustes recentes para reduzir distorções de incentivos.

  • Atividade on-chain mensurável: transações, uso de DEXs nativas e presença de stablecoin própria (HONEY).


  • Discussões recentes de governança envolvendo redução de inflação de recompensas, indicando resposta a críticas de sustentabilidade.

  • Repositórios ativos e atualizações técnicas contínuas no ecossistema.

Esses elementos sugerem que o projeto segue vivo do ponto de vista técnico, ainda que enfrente desafios claros de adoção e liquidez em mercados centralizados.

Onde está o risco real, então?

O risco não está na remoção de um par isolado, mas em tendências combinadas, como:

  • redução progressiva de pares líquidos

  • queda sustentada de volume spot

  • dependência excessiva de incentivos para manter TVL

  • baixa conversão de narrativa técnica em demanda orgânica

  • Se esses fatores persistirem, o risco de novas remoções aumenta. Se forem revertidos, o histórico mostra que pares podem inclusive voltar a ser listados no futuro.

Conclusão: leitura de sinais, não de manchetes

A situação atual de BERA não aponta automaticamente para uma deslistagem total, mas tampouco deve ser ignorada.

A deslistagem de pares é um alerta de mercado, não um veredito. Ela indica que o ativo precisa:

  • sustentar liquidez real

  • atrair uso consistente

  • converter fundamentos técnicos em demanda contínua

  • Para o investidor ou observador atento, o mais importante não é reagir ao evento isolado, mas acompanhar tendências de volume, atividade on-chain e evolução do ecossistema.