Foi um estouro daqueles na sexta-feira à noite, ninguém nem sonhava com isso.

Uns três dias antes da segunda posse de Donald Trump, lá em janeiro, as redes sociais dele ficaram abarrotadas de notícia: tinha nascido a Official Trump (TRUMP), uma tal de memecoin na rede Solana, carregando o nome e a marca política do homem.

O negócio foi um foguete: em poucas horas já tava valendo 10 bilhões de dólares, chegou a bater 73 dólares por token e deixou os investidores mais afoitos doidinhos da cabeça. Foi tanta gente tentando mexer com a moeda que a Phantom Wallet quase não deu conta, recebendo mais de 8 milhões de pedidos por minuto.

Mas, uai, um ano depois a realidade bateu: o TRUMP tá rodando ali perto dos 5 dólares, uma queda de mais de 93% em relação ao auge, ainda com uma capitalização de quase 987 milhões, segundo o CoinGecko.

Enquanto Trump completa um ano de mandato, o rolo dos conflitos de interesse continua firme: a família dele segue tocando empreendimentos de criptomoeda, e os democratas não largam do pé, dizendo que o enriquecimento pessoal é motivo pra travar qualquer reforma no setor.

Peter Chung, lá da Presto Labs em Singapura, soltou o verbo:

> “Esse lançamento da memecoin atrapalhou mais do que ajudou. Virou distração e munição pros adversários políticos.”

E não é que virou mesmo? O debate sobre criptomoedas ficou emperrado, até a tal Lei GENIUS, que regula stablecoins, foi atrasada. Em maio, a deputada Maxine Waters puxou protesto contra o que chamou de “corrupção de Trump com criptomoedas”, querendo botar cláusula de desinvestimento no projeto.

O império cripto dos Trump

As ligações do presidente com o mundo cripto vão longe: da memecoin até a World Liberty Financial, com sua stablecoin de 1 dólar.

O negócio da família cresceu feito mato na beira de estrada: mais de 1 bilhão de dólares em lucro, segundo Eric Trump, que ainda disse que “provavelmente é mais”.

Em maio passado, Waters apresentou a Stop TRUMP in Crypto Act of 2025, pra impedir que o presidente continue lucrando com ativos digitais enquanto tá no cargo.

No mesmo mês, Trump fez um jantar fechado pros 220 maiores detentores da moeda TRUMP. Entre eles, Justin Sun, fundador da Tron, que comprou mais de 22 milhões em TRUMP e ainda botou dezenas de milhões na World Liberty.

Elizabeth Warren não deixou barato: chamou o jantar de “orgia de corrupção”. Do lado de fora, centenas de manifestantes engrossaram o coro.

E a World Liberty Financial também virou alvo: a participação da família Trump nela aumentou o patrimônio em mais de 6 bilhões desde o início das negociações. Em junho, Trump declarou rendimentos de 57,3 milhões, que parlamentares chamaram de “corrupção descarada”. Pra piorar, Warren achou “suspeito” um investimento de 2 bilhões dos Emirados Árabes Unidos ligado à stablecoin USD1.