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Donald Trump sempre amou as imagens de líderes fortes do passado. Mas poucos notam que, em sua política econômica, ele parece se inspirar no 25º presidente dos EUA - William McKinley. Foi McKinley que, no final do século XIX, apostou em uma fórmula simples: "reduzimos impostos internamente - aumentamos tarifas de importação".
Isso funcionou então. Mas então - não agora.
Qual era a ideia de McKinley?
A América na época de McKinley era um jovem país industrial que estava ativamente construindo fábricas e indústrias. A China ainda estava adormecida em sua economia tradicional. A Europa estava ocupada com seus assuntos imperiais. E os EUA realmente poderiam proteger seu mercado com um alto muro de tarifas e desenvolver sua economia internamente.
McKinley reduziu impostos para os americanos e ao mesmo tempo aumentou tarifas sobre produtos estrangeiros. A lógica era simples: que comprem o que é deles, americano. Os trabalhadores recebem salários, as fábricas crescem, o governo ganha com as tarifas de importação.
E o que Trump está fazendo?
Já se passaram mais de 120 anos. O mundo é diferente. Os EUA não são mais uma jovem fábrica, mas uma imensa economia de consumo. A ideia de Trump é basicamente a mesma: reduzir impostos para os americanos e aumentar as tarifas de importação. Especialmente sobre produtos da China e de outros países.
A única questão é que a economia de hoje funciona de forma completamente diferente.
Por que isso não funcionará?
→ Em primeiro lugar, a produção há muito saiu dos EUA. A maior parte das roupas, eletrônicos e peças é fabricada na Ásia. Ao aumentar as tarifas, Trump não torna os produtos americanos - ele os torna caros.
→ Em segundo lugar, a economia global há muito está entrelaçada em cadeias de suprimento. Até a empresa americana Apple monta iPhones na China, com peças fabricadas em todo o mundo. As tarifas destroem esse sistema, como um efeito dominó.
→ Em terceiro lugar, o aumento das tarifas é um imposto oculto sobre os cidadãos comuns. Quem paga pela importação não são os chineses, mas os consumidores nos EUA. Ou seja, as pessoas ficarão com menos dinheiro no bolso, e o efeito da redução de impostos será consumido pelo aumento dos preços.
O mundo mudou - não é mais o final do século XIX.
Tentar hoje repetir a política de McKinley é como tentar consertar um smartphone usando métodos de reparo de uma locomotiva a vapor. Os tempos são diferentes. A economia é diferente. A globalização já ocorreu e ninguém pode revertê-la com um simples decreto presidencial.
A América pode e deve buscar novas maneiras para sua economia através da inovação, tecnologia, educação e independência energética. Mas construir um muro tarifário no século XXI é um caminho sem saída.
A conclusão é simples
McKinley viveu em um mundo de fábricas e locomotivas a vapor. Trump vive em um mundo de iPhones e redes globais. E a estratégia que funcionou na América em 1897 hoje se transforma em uma cara ilusão.
A economia não é um museu. E copiar políticas antigas sem considerar as novas realidades é um passatempo muito caro e muito ingênuo.