A reforma econômica da China na última década tem sido um processo controlado de privatização, liberalização e desregulamentação, e esse processo historicamente só ganhou força quando a pressão externa se acumulou. Nesse sentido, a decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de impor tarifas de 'até 245 por cento' sobre produtos chineses, que deve restringir os fluxos comerciais entre a China e um de seus principais mercados, deve resultar em uma enorme pressão externa sobre a China para revisar sua estratégia econômica e modelo de crescimento, levando a ações decisivas e muito atrasadas para impulsionar o consumo interno.
A situação pode ser semelhante à crise financeira asiática de 1997, quando o boom das exportações da China parou, forçando a liderança a buscar motores de crescimento em casa. O governo tomou uma série de decisões-chave, incluindo o fechamento ou venda de empresas estatais não lucrativas, a criação de um mercado habitacional urbano e a aceleração dos esforços para ingressar na Organização Mundial do Comércio. Essas decisões estratégicas, embora não isentas de controvérsia ou custo, lançaram as bases para a ascensão econômica da China nas décadas seguintes, marcando uma mudança de uma economia planificada para uma economia de mercado.
Mais importante ainda, essas reformas econômicas mudaram a percepção pública e o estilo de vida de muitas pessoas. À medida que a máquina de exportação da China perdeu força durante a crise financeira, o governo buscou maneiras de incentivar o consumo interno. Isso levou à introdução de feriados da 'semana dourada', que incentivaram as pessoas a buscarem lazer e prazer durante as férias de uma semana para o Dia do Trabalho em maio e o Dia Nacional em outubro. Isso estava completamente em desacordo com a ortodoxia comunista que prefere um estilo de vida frugal e espartano.