#DigitalAssetBill A alavanca dos BRICS: uma estratégia estruturada de elisão
Paralelamente a esse desempenho econômico, foi na arquitetura comercial dos BRICS que a Rússia encontrou um apoio decisivo. Desde as primeiras ondas de sanções, Moscovo acelerou sua integração na aliança dos BRICS e lançou uma estratégia firme de desdolarização.
Essa iniciativa permitiu à Rússia continuar suas trocas internacionais por meio de moedas locais. A Rússia reescreveu seus acordos comerciais para enviar e receber moedas locais em transações transfronteiriças.
Essa reorientação contou com o apoio de parceiros como China, Índia e Arábia Saudita, que viram nas sanções uma oportunidade para reforçar sua própria autonomia energética e financeira.
A Índia, por exemplo, economizou 7 bilhões de dólares em moeda estrangeira ao comprar petróleo russo a preços baixos. Quanto à Arábia Saudita, importou petróleo bruto russo a preço reduzido antes de redistribuí-lo no mercado europeu, obtendo assim margens confortáveis.
Essas práticas, possíveis graças à ausência do dólar nas transações, evidenciam um deslocamento progressivo, mas estruturado, do centro de gravidade monetário mundial. A estratégia russa não apenas permitiu eludir as sanções, mas também consolidou uma dinâmica multipolar onde os BRICS se posicionam como catalisadores de novas normas comerciais.