No relatório divulgado hoje, segunda-feira, o Banco Mundial revelou que os fluxos de investimento estrangeiro direto para os países em desenvolvimento caíram para o nível mais baixo desde 2005, em meio ao aumento das barreiras comerciais e restrições aos investimentos.
De acordo com o relatório, o valor desses investimentos não ultrapassou 435 bilhões de dólares em 2023, que é o ano mais recente para o qual dados completos estão disponíveis, conforme o Banco Mundial, que tem sede em Washington, e indicou que essa queda reflete uma mudança preocupante nas políticas econômicas globais, especialmente com o aumento dos níveis de dívida pública em muitos países.
Indermat Gill, economista-chefe do Banco Mundial, disse: "O que estamos observando é uma consequência direta das políticas públicas; enquanto os investimentos estão caindo, as dívidas públicas continuam a aumentar a níveis recordes", acrescentando: "Nos últimos anos, os governos se concentraram em impor barreiras ao investimento e ao comércio, quando deveriam tê-las eliminado".
Segundo o relatório, a proporção de investimento estrangeiro direto em relação ao PIB dos países em desenvolvimento foi apenas de 2,3% em 2023, equivalente à metade da porcentagem registrada no pico de 2008.
Por sua vez, Ayhan Kose, vice-diretor sênior de economia do Banco Mundial, enfatizou que inverter essa tendência é "essencial para criar empregos, alcançar um crescimento sustentável e atingir objetivos mais amplos de desenvolvimento".
O banco afirmou que o investimento estrangeiro é um motor principal do crescimento econômico, mas o número de acordos de investimento – que são um fator-chave para o fluxo de capital – também caiu significativamente, com apenas 380 acordos entrando em vigor entre 2010 e 2024, comparados a 870 acordos entre 2000 e 2009.
O relatório destacou que "o nível de incerteza nas políticas econômicas globais e os riscos geopolíticos atingiram seus maiores níveis desde o início do século".
Observa-se que os investimentos estrangeiros tendem a se concentrar em um número limitado de economias grandes, onde apenas dez países absorveram dois terços dos investimentos estrangeiros diretos destinados aos países em desenvolvimento entre 2012 e 2023, com a China, Índia e Brasil liderando, recebendo coletivamente cerca de metade desses investimentos.
Por outro lado, os 26 países mais pobres receberam menos de 2% do total dos fluxos de investimento estrangeiro direto, segundo o relatório.
O Banco Mundial pediu a intensificação da cooperação global para direcionar o financiamento para economias em desenvolvimento que enfrentam as maiores lacunas de investimento, alertando que a continuidade desse declínio pode comprometer as oportunidades de crescimento e desenvolvimento por décadas à frente.