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PARTE I: Algo de filosofia e vivências e memórias dos começos de um especulador

1.-«Era uma vez...»

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Era uma vez um jovem, na casa dos vinte anos. Acostumado a trabalhar duro, com um bom emprego em uma empresa prestigiosa, um banco de renome e dois empregos extras. Não conseguia parar. Mas sua vocação, sua verdadeira vocação, eram os mercados financeiros, trabalhar de forma independente, como em uma partida de xadrez, o homem contra o mercado. Sozinho, sem ter que suportar chefes arrogantes, autênticos sargentos medíocres do banco com muitos anos de experiência e conhecimentos escassos, sem ter que aguentar colegas insuportáveis com os quais era preciso sair para beber a cada dois por três por conta do corporativismo, o que não quer dizer que não tivesse alguns poucos, mas grandes amigos em seu trabalho. Era seu sonho, os mercados eram a liberdade, a independência, era como dominar o mundo.

Sentado em frente a uma tela de computador, gerando dinheiro do nada.

Era, de certa forma, como a pedra filosofal, capaz de transformar o chumbo imperfeito em ouro nobre.

O jovem, um dia, se enrolou na manta. Hipnotizado pelo que havia lido em revistas norte-americanas, pelos cursos milagrosos de alguns vendedores de produtos milagrosos, havia inventado um par de sistemas para o S&P 500, o único que havia nos anos oitenta para um espanhol comum. Ele havia testado muito pouco, mas acreditou ver a luz, ter descoberto em cinco minutos o Santo Graal. Com apenas algumas semanas de teste no papel, lançou-se na aventura e então aconteceu o pior que pode acontecer a um novato como ele, uma inocente gazela, tenra e suculenta, pronta para ser devorada.

O que aconteceu? Ele ganhou, de forma inesperada, mas ganhou. Sua reação foi imediata, pensou que seu sistema era perfeito e ele, seu profeta, uma espécie de Deus capaz de dominar o mercado em cinco minutos. Essa foi sua perdição, pois esse é o truque dos «leões», tudo parece muito fácil. A imprensa do establishment tudo vê claro depois que acontece. Os telepregadores martelavam em seus ouvidos e seu corretor já tinha bastante com pagar suas comissões e as contas que o assombravam todos os meses. Ele se confiou, abaixou a guarda e, claro, seu sistema inconsistente e rudimentar começou a naufragar.

Primeiro perdeu o que havia ganhado. Percebeu que algo não ia bem e mudou rapidamente de sistema. Continuava perdendo, os sistemas deixavam de funcionar na semana em que eram colocados em prática, após tê-los testado em séries de longo prazo, manualmente, porque nos anos oitenta essas coisas de informática não estavam tão avançadas.

Assim, pouco a pouco, foi perdendo os nervos, abandonou os sistemas que pelo menos o mantinham meio de pé, começou a entrar por intuições, pelos comentários de amigos, por qualquer bobagem dita pelo telepregador da vez. As perdas começaram a se acelerar e beiraram a tragédia. Cada vez operava pior, via conspirações contra si por toda parte. Terminava muitas sessões vomitando com o estômago revirado pela tensão nervosa que experimentava. Deixou de se divertir, começou a sofrer. Cada nova operação significava um temor perpétuo de perder novamente.

Assim se arrastou quase um ano e meio até que uma tarde cinzenta de outubro de 87, quase contra as cordas, teve um momento de lucidez. Viu o Dow Jones com uma tripla divergência de baixa em vários osciladores como o MACD, por exemplo. Parecia que ia perder o suporte. No The Wall Street Journal aparecia um comentário explosivo sobre que o Dow Jones ia subir para alturas siderais nos próximos meses e isso dava possibilidades de que acontecesse exatamente o contrário, como sempre. Após ter sido um pateta, percebeu que sua oportunidade havia chegado. Foi como uma intuição que o acompanhou muitas vezes ao longo de sua carreira de trader.

                      (Continuará...)

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