O fundador #Netflix uma vez declarou que sua empresa competia não apenas com a HBO e a Disney, mas também com o sono. Essa compreensão radical da concorrência transformou o serviço de entrega de DVDs em um império avaliado em $150 bilhões.
A maioria das empresas que estudam inteligência artificial faz as perguntas erradas. Elas querem saber como usar IA para melhorar o produto, automatizar processos internos e resolver problemas de marketing. Mas os vencedores da corrida da inteligência artificial não são necessariamente aqueles com o melhor produto. São aqueles que tornam a sua obtenção a mais simples possível.
Uma história sobre como o serviço postal superou os gigantes da mídia
Ninguém esperava que a Netflix se tornasse uma líder tecnológica. No final da década de 1990, era apenas um serviço postal com envelopes vermelhos. Mas a empresa se concentrou na transformação digital muito antes de isso se tornar uma tendência. Eles criaram um sistema de recomendações, permitiram assistir filmes sem ir à locadora e então eliminaram a necessidade de esperar pela entrega.
Não se tratava de fazer os melhores filmes. A Netflix queria tornar a visualização o mais simples possível — e isso valeu a pena. Se você tivesse investido $1.000 em ações da Netflix em 2010, essa investimento teria trazido mais lucros em dez anos do que um investimento semelhante na Amazon, Apple, Tesla ou Google.
Por que o serviço de streaming superou os gigantes tecnológicos mais inovadores do mercado? Porque eles usaram a tecnologia para resolver um problema muito humano: o desejo de entretenimento mais a aversão a complicações.
Seu conteúdo não era radicalmente melhor, mas você podia encontrar um filme baseado no seu humor, receber recomendações personalizadas e começar a assistir com um clique. A conveniência se tornou o verdadeiro produto. Essa é a força subestimada da tecnologia, quando usada para remover obstáculos.
À medida que as ferramentas de inteligência artificial se tornam mais poderosas, muitas empresas buscam criar soluções mais inteligentes, rápidas e impressionantes. Mas se elas negligenciam a facilidade de uso, perdem. Os clientes se preocupam com a simplicidade de pedir, configurar e receber o que desejam sem a necessidade de estudar instruções.
Os próximos vencedores da corrida da inteligência artificial não serão necessariamente gigantes tecnológicos, mas empresas que utilizam IA para remover obstáculos entre o desejo do cliente e sua satisfação. As seguradoras usam tecnologia para tornar compreensíveis as apólices complicadas. Os fabricantes de bens essenciais preveem as necessidades das famílias antes que o detergente acabe. As companhias aéreas permitem que os passageiros reprogramem suas passagens instantaneamente através de uma interface conversacional.
A questão não é 'como tornar nosso produto mais inteligente', mas 'o que está retardando as pessoas — e como remover isso sem forçá-las a aprender algo novo?'
O principal não é o produto, mas o caminho até ele
Uma das mudanças mais poderosas que a inteligência artificial está causando é como ela altera a jornada do cliente. Cada líder empresarial deve perguntar: quão difícil é obter nosso produto ou serviço? Onde estão os obstáculos? Em que pontos as pessoas ficam confusas, atrasadas ou precisam buscar ajuda?
A inteligência artificial oferece novas ferramentas para responder a essas perguntas:
Reescrevendo instruções complexas em linguagem simples
Criando uma experiência de compra personalizada com base nas preferências individuais
Antecipação de quando será necessário reabastecimento, reparo ou verificação
Geração instantânea de documentos e materiais visuais sem esperar por especialistas
Trata-se de encurtar a distância entre interesse e satisfação. É isso que cria lealdade e faz as pessoas voltarem.
As perguntas certas são mais importantes do que as tecnologias certas
As empresas que superarão as outras na corrida da inteligência artificial serão aquelas que fazem as melhores perguntas, e não apenas criam as melhores tecnologias. A Netflix perguntou como as pessoas querem assistir filmes. A resposta moldou toda a estratégia da empresa e garantiu um nível de crescimento que ninguém esperava.
Agora, cada empresa tem a oportunidade de fazer o mesmo. O próximo vencedor da corrida da inteligência artificial pode não ser uma empresa de tecnologia. Pode ser uma marca que entender como eliminar mais um passo, mais um atraso, mais uma frustração.
Os negócios modernos se assemelham a uma enorme biblioteca, onde cada empresa tenta escrever o livro mais inteligente. Mas vence quem inventa o motor de busca — torna toda a sabedoria do mundo acessível com um clique. Na era da inteligência artificial, o verdadeiro valor não está na complexidade da tecnologia, mas na simplificação do seu acesso.
