
No análisis de alta política, as emoções são ruído. Para entender o presente da Venezuela, devemos aplicar um cálculo frio sobre as forças que hoje ditam a realidade: a convergência entre a Doutrina DonRoe e a implementação de um Modelo Turco de gestão.
1. A Doutrina "DonRoe": O Monroe do Século XXI
A histórica Doutrina Monroe mudou. O que hoje presenciamos é a Doutrina DonRoe: uma política externa onde o interesse nacional dos Estados Unidos é executado sob termos estritamente transacionais. Para a administração Trump, a Venezuela não é um projeto de democratização romântica, é um ativo estratégico em reestruturação.
Sob esta doutrina, a diplomacia se subordina à operatividade. O objetivo é simples: estabilidade energética, segurança regional e retorno de capital. Se esses objetivos forem cumpridos, a metodologia política interna passa a um segundo plano para o decisor em Washington.
2. Por que o Modelo Turco e não o Chinês?
Existe uma confusão frequente ao pensar que Venezuela está se dirigindo a um sistema chinês. O cálculo estatista nos diz o contrário: estamos nos aproximando de uma "Autocracia Transacional" ao estilo da Turquia.
China implica um hermetismo ideológico e uma autossuficiência que não se encaixa com a dependência atual dos mercados ocidentais.
Turquia representa a abertura econômica agressiva, a recepção de capitais estrangeiros e uma alineação estratégica com o Ocidente, mas mantida sob um controle político centralizado que garante que a "paz dos negócios" não seja interrompida pela volatilidade social.
3. O Pragmatismo do Tutelaje: Trump e o Interinato
De uma perspectiva de gerência de Estado, o apoio de Trump a uma transição alongada por meio do interinato administrativo (sob figuras como Delcy Rodríguez) é uma decisão de eficiência.
Controle Direto: É tecnicamente mais simples para Washington supervisionar uma administração que depende de seu reconhecimento e da liberação de recursos (fideicomissos) do que lidar com a autonomia de uma líder com legitimidade popular maciça.
Preservação de Ativos: Maria Corina Machado é o ativo de maior valor político do país. No cálculo de Washington, "queimar" esse ativo na fase de limpeza e choque administrativo seria um erro estratégico. Ele é reservado para a fase de consolidação, enquanto a "gerência operacional" atual assume o custo das reformas cruas.
4. A Sucessão Estratégica: O Ponte Rubio 2028
A visão de longo prazo nos mostra que estamos na primeira fase de duas:
Fase I (Trump): O "Saneamento". Implementação da Doutrina DonRoe, extração de recursos, estabilização por força e modelo transacional (Turquia).
Fase II (Rubio): A "Institucionalização". Uma vez que o país é rentável e seguro, a administração de Marco Rubio —como sucessor natural— executaria a transição para uma nova cara da Venezuela. Neste ponto, a legitimidade democrática volta a ser útil para o mercado, e é ali que a sociedade com a líder opositora torna-se operacional sob um marco de eleições com risco zero para os interesses dos EUA.
Em conclusão; A Liderança diante da Realpolitik.
Entender este jogo não nos faz cínicos, nos faz visionários. Estamos diante de uma transição que não se mede em meses, mas em objetivos cumpridos. Aqueles que operamos no setor privado devemos entender que o tabuleiro já mudou: a moeda de troca hoje é a produtividade e a alineação com a nova ordem transacional.
Venezuela não está esperando uma mudança; está sendo gerida em direção a uma. Os sentimentos não ganham mercados; os cálculos sim.
Ray Rondón| Escritor, Estrategista Empresarial e Analista de Risco
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