Alguns teóricos da IA acreditam que a IA nos ajudará a curar a solidão, encontrar relacionamentos de empatia e compaixão. Isso é uma ilusão. Quanto mais a inteligência artificial se entrelaça em nossas vidas, mais a humanidade migra para esferas que são inacessíveis à IA.

Percepção, corpo, emoção, sensoria, gosto, cheiro.

E assim nosso corpo deixa de ser um rebelde contra o cristianismo e a metafísica, um rebelde contra a razão — e, pelo contrário: torna-se um novo caminho na razão humana e sobre-humana, na metafísica. Descobre-se que o corpo não é anti-raciocínio, mas uma razão profunda. É mais fácil para a humanidade inventar inteligência artificial do que um corpo artificial. Pois nossos corpos são verdadeiramente universos. Microuniversos. Extremamente complexos e maravilhosos.

A empatia é possível onde há paixão.

Alguns teóricos da IA acreditam que a IA nos ajudará a curar a solidão, a encontrar relacionamentos de empatia e compaixão. Isso é uma ilusão. A empatia é possível onde há paixão, sofrimento e desejo, e eles só são possíveis onde há finitude, medo de perder a própria vida e a vida dos entes queridos, medo de perder seu lugar no mundo. Onde há uma personalidade frágil, que, no final das contas, é o que somos. A IA proporcionará muita empatia falsa, simulação de compaixão — e quanto mais houver, mais as pessoas desejarão a verdadeira compaixão.

A falsa experiência e empatia são um problema maior do que as falsas notícias.

Na arte, buscamos cada vez menos uma ordem universal ou uma rebelião universal, mas sim uma experiência na qual podemos nos imaginar. Uma experiência de um corpo concreto, de uma dor e alegria concretas, de um ponto específico no tempo e no espaço — tudo isso que a IA só obterá quando tiver nossos corpos — complexos, inteligentes, mas frágeis, dolorosos e mortais.

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