A Tailândia aprovou mudanças regulatórias que permitirão que ativos digitais sirvam como instrumentos subjacentes para derivativos regulamentados, marcando um passo significativo em direção à integração de criptomoedas nos mercados de capitais formais do país.

O Gabinete da Tailândia aprovou emendas à Lei de Derivativos que permitem que as criptomoedas respaldem produtos derivativos, de acordo com a Comissão de Valores Mobiliários e Câmbio da Tailândia. A medida reconhece formalmente os ativos digitais como subjacentes de investimento elegíveis dentro da estrutura financeira regulamentada da Tailândia.

“Esse desenvolvimento ajudará a promover um crescimento de mercado mais inclusivo, facilitar a diversificação e uma gestão de risco mais eficaz, além de expandir as oportunidades de investimento para uma gama mais ampla de investidores”, disse Pornanong Budsaratragoon, secretário-geral da SEC.

Regras a seguir, coordenação com TFEX

A SEC disse que elaborará regras de acompanhamento para atualizar licenças de derivativos, permitindo que operadores de ativos digitais ofereçam contratos vinculados a cripto. O regulador também revisará os requisitos de supervisão para bolsas e câmaras de compensação e coordenará com a Thailand Futures Exchange (TFEX) para definir especificações de contratos alinhadas com o perfil de risco dos ativos digitais.

A reforma está alinhada com o plano de mercados de capitais de três anos previamente anunciado pela SEC, que inclui iniciativas de tokenização e o desenvolvimento de fundos de índice negociados em bolsa de cripto, sinalizando um esforço mais amplo para integrar ativos digitais em canais de investimento regulamentados.

Reação da indústria: atrasada, mas riscos permanecem

Participantes do mercado local disseram que a medida está atrasada, mas alertaram que salvaguardas serão críticas. “Os ativos digitais já funcionam como instrumentos financeiros na prática”, disse Pichapen Prateepavanich, estrategista de políticas e fundador da empresa de infraestrutura Gather Beyond, acrescentando que expandir a Lei de Derivativos alinha a regulamentação com a realidade do mercado, trazendo a atividade para uma estrutura legal mais clara.

Ela disse que derivativos cripto vinculados adequadamente estruturados poderiam melhorar a proteção, liquidez e participação institucional. No entanto, ela alertou que expandir o escopo “sem fortalecer simultaneamente os padrões de divulgação e os requisitos de capital aumentaria o risco sistêmico.”

Estrutura de política de cripto em evolução

O regime regulatório de cripto da Tailândia data de 2018, quando o Decreto de Emergência sobre Negócios de Ativos Digitais concedeu à SEC autoridade de licenciamento e fiscalização sobre bolsas e emissores de tokens. A supervisão desde então se expandiu para proteção do investidor e conduta de mercado, incluindo restrições em pagamentos cripto, regras operacionais mais rigorosas para empresas licenciadas e novas diretrizes de investimento para fundos.

Nos últimos anos, o regulador aprovou a negociação de stablecoins em bolsas locais e propôs medidas para permitir que os fundos tenham maior exposição a ativos digitais, juntamente com planos para tokenização e ETFs de cripto.

A decisão mais recente destaca o esforço da Tailândia para equilibrar inovação com regulamentação, posicionando o país para aprofundar a participação institucional em cripto—desde que os controles de risco e divulgações acompanhem, de acordo com o The Decrypt.