O artigo de Banca e Negócios relata a opinião de especialistas em economia e criptoativos da Venezuela, que argumentam que a adoção do USDT (Tether) pelo Banco Central da Venezuela (BCV) como parte de suas reservas internacionais é uma medida tecnicamente viável. A proposta central é que o BCV poderia utilizar este ativo digital para intervir no mercado cambial, comprando e vendendo bolívares de maneira mais eficiente, em vez de utilizar exclusivamente dólares americanos físicos.
1. Argumentos a Favor Expuestos:
· Redução da Intervenção Direta: Ao usar USDT, o BCV poderia "queimar" bolívares (reduzir a liquidez monetária) de forma eletrônica e ágil para sustentar a taxa de câmbio, sem a necessidade de movimentar grandes quantidades de dinheiro em dólares, o que é logística e economicamente complexo.
· Eficiência e Transparência: As operações com criptoativos são liquidadas em minutos e são registradas em uma blockchain, oferecendo maior velocidade e um rastro auditivo transparente em comparação com o sistema bancário tradicional.
· Acesso a Mercados Globais: O USDT operaria como um "ponte" para que o BCV tenha acesso a divisas no sistema financeiro internacional de forma mais direta, superando potencialmente algumas limitações.
· Preservação de Reservas: Permitiria preservar as reservas internacionais em ouro ou outros ativos tradicionais, utilizando o USDT para as operações diárias de estabilização cambial.
2. Riscos e Desafios Mencionados: O artigo não ignora os importantes riscos associados a esta medida:
· Volatilidade e Risco de Contraparte: Embora o USDT esteja projetado para manter uma paridade 1:1 com o dólar, seu valor depende da solvência e transparência da empresa emissora, a Tether Limited. Uma crise de confiança ou uma investigação regulatória contra a Tether poderia afetar seu valor.
· Aspectos Regulatórios Globais: O ambiente regulatório para as stablecoins ainda é incerto e está em evolução. Mudanças bruscas na legislação de países-chave (como os EUA) poderiam impactar sua operacionalidade.
· Falta Tecnológica e de Conhecimento: Implica que o BCV deve desenvolver a infraestrutura técnica e o know-how para gerenciar e custodiar grandes quantidades de criptoativos de forma segura, evitando ciberataques.
· Aceitação: A medida exigiria que os atores do mercado (bancos, casas de bolsa, etc.) aceitem o USDT como um instrumento válido para as transações com o ente emissor.
3. Contexto Venezuelano: A proposta se enquadra na busca de soluções inovadoras para a profunda crise econômica venezuelana, caracterizada por uma hiperinflação histórica, uma massiva dolarização de fato da economia e severas sanções financeiras internacionais que limitam o acesso do governo às divisas convencionais.
4. Conclusão: O artigo apresenta uma proposta teórica e especulativa de especialistas do setor privado, não um anúncio oficial de política econômica. Embora destaque a viabilidade técnica e os potenciais benefícios em eficiência, os riscos operacionais, de segurança e regulatórios são enormes. A implementação de uma medida desta magnitude por parte de um banco central seria altamente experimental e representaria um passo sem precedentes, com um alto nível de incerteza quanto aos seus resultados finais em um ambiente econômico tão complexo como o venezuelano.
Fonte: Banca e Negócios
Nota: As informações apresentadas são informativas e educativas.
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