#SouratesCrypto Edição 9: « Quando Herzog fala em nome do Ocidente…»

Surata al-Mâ’idah (5:8)

«Ó vós que credes! Sede rigorosos por Allah no vosso testemunho de justiça: que o ódio de um povo não vos impeça de serdes injustos. Sede justos: isso é mais próximo da piedade.»

Isaac Herzog apresentou uma leitura geopolítica forte com seus dois trechos de frases: «...Trata-se de uma guerra pelo mundo ocidental…» e «...Alguns nos odeiam e se recusam a acreditar nisso.» Essas frases buscam ampliar o conflito, torná-lo uma questão civilizacional e moral, tendendo a mobilizar os aliados.

Coloquemos, no entanto, a questão à luz da Surata (al-Mâ’idah 5:8): se o ódio de um povo pode enviesar o julgamento, então o apelo primeiro é à JUSTIÇA mesmo para o adversário. Colocar o destino de Israel na categoria de questão ocidental pode reforçar a solidariedade estratégica; ao mesmo tempo, isso pode fechar o espaço para a nuance e excluir a busca imparcial pela justiça.

De fato, a retórica de Herzog transforma uma crise regional em um argumento de interesse ocidental visando obter apoio diplomático e militar.

Além disso, há um perigo moral, pois reduzir as críticas a ódio conforta aqueles que desejam eludir essa interrogação interna e internacional.

Entretanto, para que haja equilíbrio, é aconselhável aplicar a justiça sem estado de alma, ouvindo a dor das vítimas de ambos os lados, defendendo a segurança sem renunciar aos princípios do direito internacional.

Nesse contexto, a Declaração de Nova York e os movimentos diplomáticos recentes reforçam o quadro político, onde a retórica pode exacerbar as divisões, se e somente se, neutralizar o debate sobre os direitos e a dignidade dos povos.

À luz do que foi dito, a interseção das narrativas, a palavra pública deve ser julgada à prova da justiça não para diminuir a aflição de um povo, mas para recusar que a raiva corte o caminho do direito e da paz.

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