As fintechs como Robinhood e Stripe estão construindo suas próprias blockchains à medida que Wall Street começa a explorar ativos digitais, mas os gargalos na execução ainda são um obstáculo para a adoção em nível institucional.

Uma nova onda de fintechs
O aplicativo de serviços financeiros Robinhood recentemente anunciou a construção de uma blockchain layer-2 própria para suportar ações tokenizadas e ativos reais, enquanto a Stripe também apresentou planos para o Tempo, uma blockchain focada em pagamentos desenvolvida junto com a Paradigm.
"Isso será apenas o começo de muitos passos a seguir," Annabelle Huang, cofundadora da Altius Labs, compartilhou com a Cointelegraph. "As fintechs na Ásia, América Latina e mercados emergentes, que já estudaram isso por muitos anos, também estão prontas para agir."
A experiência de Huang com Wall Street e DeFi
Huang começou sua carreira em Nova York na área de negociação de câmbio e taxa de juros, depois se juntou ao Amber Group em Hong Kong como gerente e ajudou a empresa a se tornar um dos maiores provedores de liquidez em criptomoedas da Ásia durante o boom do DeFi.
Segundo ela, as blockchains lideradas por fintechs continuarão enfrentando um dilema: desempenho. Enquanto as empresas financeiras tradicionais negociam em unidades de microssegundos, as blockchains ainda operam em níveis de segundos ou milissegundos. Este é exatamente o "gargalo de execução" que Huang acredita que precisa ser resolvido antes que o fluxo de capital institucional realmente se mova para a blockchain.
Soluções da Altius Labs
Saindo do Amber Group, Huang se concentra em resolver esse gargalo através da Altius Labs. Ela e sua equipe estão construindo uma camada de execução modular que pode ser integrada diretamente às blockchains existentes, aumentando a taxa de transferência sem precisar reescrever toda a infraestrutura.
O objetivo, segundo ela, é "trazer desempenho para qualquer blockchain de maneira plug-and-play. Uma cadeia pode melhorar a velocidade de execução e a taxa de transferência sem precisar redesenhar toda a arquitetura."
Diferente da criação de sidechains ou novos layer-2, essa abordagem traz a modularidade profundamente para a camada de execução, aproximando o Web3 do desempenho do Web2, mas ainda mantendo a descentralização.
A lacuna de desempenho
Em 27/6/2025, a Nasdaq deixou claro o descompasso entre blockchain e infraestrutura financeira tradicional: em apenas 0,871 segundos, a bolsa executou 2,5 bilhões de ações durante o rebalanceamento do índice Russell. Enquanto isso, o Ethereum processa cerca de 15 transações/segundo com um tempo de bloco de ~12 segundos; o Solana é mais rápido com um tempo de bloco de 400 milissegundos e milhares de transações/segundo, mas ainda não atendeu às expectativas das instituições.

As soluções como layer-2 do Ethereum ou Firedancer no Solana melhoraram significativamente, mas Huang acredita que ainda existem problemas de escalabilidade e fragmentação.

A participação indireta de instituições
Enquanto aguardam a tecnologia melhorar, as grandes instituições financeiras entraram no mercado através de ETFs ou estratégias de tesouraria corporativa. O Bitcoin ETF e empresas como a MicroStrategy tornaram-se canais de acesso alternativos. No entanto, nem todas as empresas tiveram sucesso com a estratégia de tesouraria em Bitcoin, pois muitas empresas em dificuldades a usaram como a última alternativa para atrair investidores.

Huang observa que essa estratégia apresenta riscos, especialmente para investidores de varejo, mas a demanda por produtos derivados como ETFs ou proxies continuará.
A era blockchain das fintechs
De acordo com Huang, em vez de apenas adicionar códigos de negociação de criptomoedas aos aplicativos, as fintechs agora estão investindo em infraestrutura blockchain própria, trazendo gradualmente os ativos digitais para o núcleo do sistema. As mesas de negociação OTC também estão se transformando em provedores de liquidez regulamentados, alinhados às expectativas dos clientes institucionais.
"O que estamos testemunhando e o que ainda veremos mais no futuro é a tendência de instituições adotando stablecoins ou até mesmo construindo blockchains próprias para cada caso de uso," afirmou Huang.
Após muitos anos de troca com instituições financeiras, agora eles estão prontos para agir.