#PCEInflationWatch #PCEInflationWatch A CULTURA DA POBREZA

Ninguém tem direito ao supérfluo até que todos tenham o essencial.

A "cultura da pobreza", uma utopia formulada pelos teólogos da libertação, pressupõe que "ninguém tem direito ao supérfluo até que todos tenham o essencial" (Ignacio Ellacuría) e afirma que a libertação do ser humano será irrealizável sem a libertação da Natureza, brutalmente explorada por um capitalismo insaciável: "Hoje gritam as águas, as florestas, os animais, é toda a Terra que grita –escreve Leonardo Boff–. Dentro da opção pelos pobres e contra a pobreza deve ser incluída a Terra e todos os ecossistemas. A Terra é o grande pobre que deve ser libertado junto a seus filhos e filhas condenados". Este ideal é profundamente revolucionário, mas não avançará sem um exercício de reflexão coletiva que interiorize uma nova visão do mundo.

O século XXI deveria ser o cenário desse mudança. A justiça, a liberdade e a solidariedade não serão possíveis, se o ser humano não conseguir reverter as forças destrutivas de um capitalismo incompatível com a paz social e a preservação da vida. A esperança sempre é insensata e temerária, mas sem ela o futuro se fecha, transformando-se em um muro impenetrável. "Transcendamos o existente –escreveu Ernst Bloch em O princípio da esperança (1959)–. O futuro não é uma mera prolongação do presente. […] O futuro depende de nós, não nos deixemos levar pela inércia do dia a dia nem pelo derrotismo. O otimismo é uma questão de vontade, concentremo-nos no que é modificável e no que depende de nós".

A humanidade ainda pode reinventar-se a si mesma e iluminar um amanhã ético, sem violência nem desigualdade. A utopia do justo, do belo e do fraterno não é uma ilusão, mas o único horizonte que pode garantir nossa sobrevivência como espécie.