#AnáliseDeMercadoCripto

A intuição não serve para o trading. O que servem são as regras.

Não importa quão afiado você ache que é seu instinto, se você confia em corações ou nesse “sentimento” de que o mercado “vai se mover” em uma direção, você está jogando um jogo perigoso. Qual é a razão? Os mercados não são um cassino (embora para muitos pareçam). O dinheiro flui das mãos impacientes para as mãos pacientes, daqueles que não têm um plano para aqueles que têm uma estratégia clara.

A lógica implacável do mercado

Por trás de todo movimento de mercado há algo que o governa: a liquidez. Essa liquidez vem, majoritariamente, de um grupo enorme de operadores que não têm ideia do que estão fazendo. Para cada cem traders que entram no mercado, há um que sabe transferir como essa liquidez para sua carteira. O que estamos dizendo aqui é brutal, mas certo: o trading não é uma questão de perseguir o dinheiro freneticamente, mas de planejar.

O trading é estratégia, método, probabilidades. É matemática e estatística aplicada, não mágica nem superstição. Se alguma vez você ficou pensando por que suas operações não funcionavam, talvez seja hora de admitir que não tem um sistema. Ou pior, que tem um, mas não o segue.

A inteligência ajuda no trading? Talvez não tanto quanto você pensa.

Uma das grandes lições que você aprenderá neste caminho foi esta: o QI não tem relação direta com os retornos. De fato, saber demais pode jogar contra você. Por quê? Porque a análise excessiva pode paralisar.

A sobrecarga de informações pode fazer você duvidar justo quando deveria agir. E isso me leva a uma das frases mais relevantes de Warren Buffett e Charlie Munger, os gênios por trás da Berkshire Hathaway:

“Comer erros é essencial, sempre que o correto supere o incorreto.”

Em outras palavras, os erros são inevitáveis, mas se você não aprender com eles, está acabado. É ISSO.

Lições da cerca elétrica (sim, a metáfora é literal)

Will Rogers, citado por Munger em várias ocasiões, disse:

“Existem três tipos de pessoas: aquelas que aprendem lendo, aquelas que aprendem observando e aquelas que têm que urinar na cerca elétrica sozinhas.”

Eu era do terceiro grupo. Precisava aprender à base de golpes e descargas elétricas, figurativamente falando. Descobri que a experiência em trading não se aprende em um livro nem olhando outros operarem. Se aprende perdendo dinheiro e, o mais importante, entendendo por que o perdeu. Porque se algo é certo no mundo do trading é isso: o mercado não te dará trégua. Te tirará tudo antes de te dar algo (se é que chega a te dar algo).

O erro como oportunidade

Durante meses, me senti estagnado. Cometia os mesmos erros uma e outra vez. Me sabotava justo quando todas as condições para entrar em uma operação estavam alinhadas. Sobreanalisava. Buscava desculpas para não entrar. E, quando via que o mercado se movia na direção certa, reagia impulsivamente (tempo depois) e entrava em operações onde as condições não se cumpriam. Resultado: meses de total inconsistência.

Foi então que estabeleci a primeira regra do trading para mim, citando Warren Buffett:

“NÃO SEJA CONSISTENTEMENTE ESTÚPIDO.”

Regras, gestão e a importância do tempo no mercado.

O problema não era o mercado. Era a minha execução. Percebi que precisava de um sistema que incluísse três pilares fundamentais (isso claramente tem um desenvolvimento que fui aperfeiçoando com minha mentora):

  1. Regras claras que devem ser cumpridas antes de entrar em uma operação.

  2. Gestão de risco calculada antes de cada trade.

  3. Tempo no mercado: a experiência não se compra nem se aprende em um curso. Só se ganha operando.

O desconhecimento das dinâmicas do mercado.

Outro grande erro que cometi foi subestimar as dinâmicas do mercado. Acreditava que com ler velas e padrões básicos já tinha tudo o que precisava. Que engenho. Se fosse tão simples, as instituições não gastariam milhões em software avançado nem em equipes de analistas de dados.

Isso me fez lembrar de Jesse Livermore, o lendário trader americano do início do século XX. Livermore não tomava decisões baseadas em palpites. Ele estudava o fluxo de ordens, o volume, e entendia a psicologia dos mercados.

Uma das técnicas que ele utilizava para obter vantagem era a leitura minuciosa das ordens de compra e venda que chegavam através dos teletipos, que eram os dispositivos que transmitiam em tempo real a informação das transações bursáteis.

Não confiava em seu instinto, confiava nos dados. E aqui estava eu e muitos como eu, operando com x20-x50 de alavancagem porque "sentia" que #BTC estava prestes a cair ou subir. Agora rio de mim mesmo. Livermore ficou milionário em 1900 com análise e estratégia, e eu pretendia fazer o mesmo em 2025 com intuição e fé cega. Ridículo, não é?

Tudo é questão de equilíbrio

O trading é um jogo de equilíbrio. Não se trata de se punir por operar com intuição, mas também não ignorar seus erros. Uma das recomendações mais valiosas que você receberá como trader é esta: mantenha um diário de suas operações.

Anote por que entrou, por que saiu e o que aconteceu depois. Esse hábito transformará sua forma de operar. Mas há algo mais importante que um diário: a vantagem temperamental.

Os traders bem-sucedidos não são gênios matemáticos. São pessoas com frieza suficiente para não se deixar derrubar pelos erros. Sabem que as perdas são inevitáveis e que não há como evitá-las. A única coisa que você pode controlar é seu sistema e sua mente.

Conclusão: o trading não é para todos

O mercado é implacável. Quando ouvi isso pela primeira vez, senti que a frustração me fazia ferver o sangue. Será que o trading não era para mim? Não será para você se não estiver disposto a aceitar perdas, aprender com seus erros e operar com um sistema claro e definido; o melhor seria que você se mantivesse como investidor passivo.

Porque, como disse Charlie Munger:

“Se você não está disposto a ver o mercado cair 50% sem entrar em pânico, você não está feito para ser acionista.”

O trading não é um jogo de adivinhações nem de palpites. É método, estatística e lógica (citando minha mentora* no final deixo seu usuário para que você a busque e comprove por si mesmo o que escrevi*). Então, se você está começando, esqueça a intuição e defina regras claras, mas acima de tudo SIGA-AS.

Depois de meses de tropeços vem a conclusão mais racional: o que funciona nos mercados não é seu instinto, é sua capacidade de se adaptar, aprender e executar com disciplina.

Lembre-se: o mercado é seu servo, não seu mestre. Mas se você não entender isso, sempre será sua escrava.

Finalmente deixo por aqui o usuário de X, IG e demais redes da trader que me ensinou a parte mais difícil: a transformar minha intuição em lógica, fé em vantagem estatística positiva, estratégia em sistema: mariellangsaez. Obrigado simplesmente.

São tempos de leitura.

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