Uma séria controvérsia diplomática e digital está surgindo entre a China e os Estados Unidos em relação ao grande volume de Bitcoin. O Centro Nacional de Resposta a Vírus de Computador da China (CVERC), uma agência de cibersegurança estatal, fez uma acusação chocante de que o governo dos EUA confiscou ilegalmente Bitcoin no valor de bilhões de dólares.
CVERC afirma que o número de ativos tem origem em um hack de pool de mineração em 2020, e não é dinheiro obtido a partir de atividades criminosas do empresário Chen Zhi, como alegado pelo Departamento de Justiça dos EUA (DOJ).
Conteúdo da Acusação Técnica
Em um relatório técnico publicado no domingo, o CVERC desafiou diretamente a interpretação do DOJ sobre a apreensão de bens. O DOJ anteriormente acusou Chen Zhi, presidente do Prince Group, de liderar uma campanha de fraude "mutilação de porcos" (pig-butchering) em grande escala envolvendo trabalho forçado e fraude de criptomoedas.
O CVERC afirma que em 29 de dezembro de 2020, o poço de mineração LuBian foi atacado, resultando na perda de 127.272,06 BTC. Naquele momento, essa quantidade de Bitcoin valia cerca de $3,5 bilhões de dólares, mas seu valor atual aumentou de forma impressionante, atingindo $13,2 bilhões de dólares. Esse montante é supostamente de propriedade de Chen Zhi.
As alegações do CVERC atingem o auge quando afirmam que o governo dos Estados Unidos "pode ter roubado 127.000 bitcoins detidos por Chen Zhi através de técnicas de hack desde 2020, tornando [a apreensão] uma operação 'preta come preta' típica orquestrada por uma organização de hack de nível estatal," de acordo com a tradução em mandarim.
O CVERC fornece evidências baseadas na correspondência de endereços: eles argumentam que os endereços listados na acusação do DOJ sobre Chen Zhi correspondem aos endereços no hack LuBian de 2020. A agência cita análises da Elliptic e da Arkham Intelligence para apoiar a alegação de que os fundos apreendidos têm origem em atividades de mineração comprometidas na China e no Irã.
Limites Difusos: Hack ou Apreensão Legal?
Outros relatórios oferecem uma visão mais complexa sobre o evento. A TRM Labs, uma empresa de inteligência blockchain, confirmou ao Decrypt que os bitcoins apreendidos "originam-se de 25 carteiras não custodiais controladas por Chen até 2020."
Angela Ang, chefe de políticas e parcerias estratégicas para a região da Ásia-Pacífico na TRM Labs, disse: "Embora não saibamos com certeza como ou por que foram transferidos da carteira de Chen, a petição de apreensão do DOJ sugere uma hipótese sobre o que ocorreu, pelo menos do ponto de vista do Prince Group: um insider roubou esses fundos."
A TRM Labs também aponta que a atividade on-chain indica que o próximo grande movimento desses fundos ocorrerá entre junho e julho de 2024. Atualmente, esses fundos estão sob a supervisão do governo dos Estados Unidos. Ang sugere que as transações de 2024 "podem representar a transferência desses ativos para a sua posse."
No entanto, Ang reconhece as limitações em determinar com precisão como as autoridades dos EUA obtiveram acesso ou controle sobre essas carteiras.
Apesar da ambiguidade técnica, a alegação, que foi relatada pela primeira vez pelo Global Times (um jornal operado pelo Partido Comunista da China), gerou um novo confronto, enfatizando a profunda desconfiança entre as duas potências em relação às questões de segurança cibernética e finanças digitais globais. #anhbacong



