A Europa dá o passo mais audacioso nas finanças digitais na última década. Dez dos principais bancos da UE, incluindo o BNP Paribas, se uniram para criar a primeira stablecoin em euro de nível bancário.

O projeto será desenvolvido por meio da nova empresa Qivalis, que está baseada em Amsterdã. O lançamento está previsto para a segunda metade de 2026 (fonte: Cointelegraph, Reuters).

🧩 Por que a Europa precisa de seu próprio stablecoin

O CEO da Qivalis, Jan-Oliver Sell, formulou o objetivo da direção:

“Esta é uma questão de autonomia monetária na era digital.”

A explicação é simples. Hoje, mais de 99% dos stablecoins do mundo estão atrelados ao dólar dos EUA. A economia digital vive sob um “padrão de criptodólar” condicionado. Para a UE, isso significa dependência da política monetária dos EUA, mesmo na blockchain.

Os bancos europeus querem mudar a situação:

  • dar às empresas europeias uma ferramenta on-chain própria,

  • criar um mercado interno para pagamentos digitais em euros,

  • reduzir a influência do dólar nas tecnologias financeiras da região.

🔍 Corrida regulatória: EUA vs UE

Enquanto a Europa prepara os padrões, os EUA já estão operando sob novas leis.
Em julho, o presidente Donald Trump assinou a GENIUS Act — a primeira regulação abrangente de stablecoins nos Estados Unidos, que consolida o domínio do dólar no Web3.

A Europa não pode permitir que a economia digital do futuro pertença exclusivamente aos EUA, por isso surgiu o projeto Qivalis.

💼 Por que os bancos estão entrando no mercado, enquanto a Tether está saindo

Contexto importante:

  • Em 25 de novembro, a Tether fechou seu stablecoin em euros EURt, citando exigências do MiCA muito rígidas.

  • Agora o mercado está praticamente aberto para jogadores bancários, que recebem “luz verde” da UE.

A razão pela qual o euro ficou para trás do criptodólar por tanto tempo também é óbvia:

durante anos, a zona do euro operou com taxas zero ou negativas → as reservas em euros geravam perdas → nenhum emissor tinha interesse em criar um stablecoin em euros.

Naquela época, os títulos em dólares ofereciam de 4 a 5% ao ano.

Agora a situação mudou.

As taxas do BCE estão subindo + a lei MiCA está em vigor → os bancos obtêm uma vantagem competitiva e, na prática, monopolizam o futuro mercado de stablecoins em euros.

🌐 O que isso significa para o mercado de criptomoedas

1️⃣ Haverá concorrência com o criptodólar.
Pela primeira vez em 10 anos, a Tether e a Circle têm um concorrente real — um stablecoin bancário regulado da UE.

2️⃣ A tendência de “onboarding” de bancos tradicionais ao Web3 se fortalecerá.
Na verdade, a Europa está lançando uma infraestrutura de stablecoin não com startups, mas com gigantes financeiros.

3️⃣ A MiCA será um ponto de entrada para os bancos e um ponto de saída para os antigos emissores.
A Tether já “deu o euro”, outros participantes não bancários podem seguir esse caminho.

4️⃣ A geopolítica está mudando para o Web3.
A cripto se torna parte da luta global por moedas — esta é uma nova era de soberania monetária digital.

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