Chris Waller deixa a reunião com Trump, sabendo que não será o presidente do Fed

O governador do Sistema da Reserva Federal, Chris Waller, deixou a Casa Branca com a clara consciência de que o cargo de liderança no banco central dos EUA está escapando de suas mãos. Ele percebeu isso quase imediatamente após o término da reunião com o presidente Donald Trump no Salão Oval.

Waller acabou de concluir o que os oficiais mais tarde descreveram como "uma conversa intensa" sobre o cargo de chefe do Sistema de Reserva Federal. A discussão concentrou-se principalmente no mercado de trabalho, nas tendências de contratação em desaceleração e nas possíveis maneiras de apoiar a criação de empregos. A reunião terminou poucos minutos antes de Trump se dirigir à nação sobre o estado da economia.

Na sala estavam presentes o Secretário do Tesouro Scott Bessent, a chefe de gabinete da Casa Branca Suzy Wiles e o vice-chefe de gabinete Dan Scavino. Waller respondeu a todas as perguntas que lhe foram feitas, mas também sentiu a realidade fundamental: o processo de seleção permanecia aberto — e ele não era o líder.

Sinais de que a corrida está longe de terminar

Sinais adicionais vieram do desenrolar de eventos relacionados a outros candidatos potenciais. Rick Rieder da BlackRock agendou uma reunião com Trump em Mar-a-Lago durante a última semana do ano. Os oficiais também confirmaram que Michelle Bowen foi excluída da consideração.

Enquanto isso, Trump já realizou entrevistas com outros candidatos proeminentes, incluindo Kevin Hassett, que atualmente tem uma vantagem nos mercados de previsões, e o ex-governador do Fed, Kevin Warsh. A sequência de reuniões destacou o quão competitiva e inacabada a corrida permanece.

Trump sinaliza uma busca mais ampla e um diálogo ativo

De acordo com oficiais familiarizados com a reunião, a entrevista de Waller refutou a alegação de que Trump estava buscando um chefe do Fed que simplesmente respondesse às suas decisões sobre taxas de juros. Eles disseram que o presidente estava considerando uma ampla gama de questões econômicas, e não apenas a política monetária.

Ao mesmo tempo, Trump deixou claro seu desejo de ter um chefe do Fed que se comunique com ele. Em uma recente entrevista ao The Wall Street Journal, ele disse que o chefe deve “consultá-lo”. Em uma declaração notoriamente contundente, ele acrescentou:

“Eu não acho que eles devem fazer exatamente o que dizemos. Mas eu sou uma voz inteligente, e devo ser ouvido.”

No dia seguinte, Trump falou calorosamente sobre Waller no Salão Oval, quando lhe perguntaram repórteres. “Acho que ele é ótimo. Ele está lá há muito tempo, temos muito em comum,” disse o presidente. Trump também observou que indicou pessoalmente Waller para o cargo no Fed em 2019.

Apesar dos elogios, a realidade permanecia inalterada: Waller não se tornou o candidato principal. Os oficiais continuaram a enfatizar que a entrevista era parte de um “processo altamente organizado”, uma frase que frequentemente sinaliza que a decisão final ainda está distante.

Mensagem clara sobre as taxas de juros

O discurso de Trump na quarta-feira deixou suas prioridades ainda mais claras.

“Em breve, anunciarei o nome do nosso próximo chefe do Sistema de Reserva Federal — alguém que acredita em cortes significativos nas taxas de juros e em uma redução ainda maior nos pagamentos hipotecários,” disse ele.

Esta declaração em si destacou que Trump está procurando: um chefe, pronto para cortes agressivos nas taxas.

As visões de Waller sobre taxas e riscos do mercado de trabalho

Apenas algumas horas antes de sua reunião no Salão Oval, Waller falou na Cúpula de CEOs na Universidade de Yale, em Nova York. Ele disse que acredita que as taxas de juros podem cair em 50 a 100 pontos base, citando expectativas de alívio da inflação e crescente preocupação com a fraca contratação.

Waller também lembrou ao público que ele não concordou em julho, quando o Fed votou para manter as taxas inalteradas. Essa decisão mais tarde parecia duvidosa, quando o Fed cortou as taxas em um total de 75 pontos base, começando em setembro.

Embora os oficiais não tenham revelado os detalhes da conversa privada de Waller com Trump, o contexto geral era claro. O relatório de empregos de novembro mostrou que o desemprego subiu para 4,6%, aumentando de 4,4% em setembro, enquanto o crescimento dos empregos praticamente parou. A questão do emprego se tornou o principal tema político.

Trump voltou a esse tema durante seu discurso econômico, dizendo:

“Hoje, mais pessoas estão empregadas do que em qualquer outro momento da história da América. E 100% dos empregos criados desde que assumi o cargo foram no setor privado.”

Desde janeiro, o setor privado adicionou 687.000 empregos, enquanto o governo cortou 188.000 posições.

Um momento inesperado no final

A reunião terminou com um momento leve, que supostamente causou risadas entre todos os presentes. Alguém mencionou que Waller pode levantar 158 quilos. Trump, segundo alega, “ficou sinceramente impressionado.” Não tanto impressionado a ponto de lhe dar o cargo mais alto — mas o suficiente para merecer admiração.

Waller ficou com uma compreensão clara: a busca continua, e ele não espera que o telefone toque.

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