Gana saiu oficialmente da “zona cinza” regulatória ao aprovar o Projeto de Lei dos Prestadores de Serviços de Ativos Virtuais, um movimento histórico que legaliza a negociação de criptomoedas e ativos digitais em todo o país.

A legislação, aprovada pelo Parlamento na segunda-feira, estabelece uma estrutura abrangente para a supervisão e licenciamento de atividades de ativos digitais, posicionando Gana como um líder na regulamentação de fintechs africanas.

O Governador do Banco de Gana (BoG), Dr. Johnson Asiama, elogiou o projeto de lei como um passo transformador para a economia, garantindo que a atividade cripto seja trazida dentro de "limites claros, responsáveis e bem governados."

Em um endereço público, o Dr. Asiama forneceu clareza imediata para os milhões de usuários do país:

“A aprovação deste projeto de lei significa que ninguém será preso por negociar cripto. Agora temos as ferramentas para gerenciar riscos enquanto permitimos que o setor cresça de forma responsável.”

Sob a nova lei, qualquer indivíduo ou entidade que desejar fornecer serviços de ativos digitais deve se registrar com o Banco de Gana ou a Comissão de Valores Mobiliários (SEC), dependendo da natureza específica de suas operações.

A medida vem à medida que a adoção em Gana atinge recordes históricos. Dados recentes do Web3 Africa Group destacam a escala do mercado:

  • Volume de Transações: Aproximadamente $3 bilhões em transações cripto foram processados em Gana entre julho de 2024 e junho de 2025.

  • Base de Usuários: Estima-se que 17% da população adulta (quase 3 milhões de pessoas) atualmente use ativos digitais.

Olhando para o futuro, o Governador delineou um plano ambicioso para 2026, focando na integração de ativos digitais na infraestrutura financeira central.

Um destaque chave da próxima fase é a “exploração direcionada” de instrumentos de liquidação digital lastreados em ativos, especificamente stablecoins lastreadas em ouro. Ao aproveitar o status de Gana como um dos principais produtores de ouro, o banco central visa usar esses tokens para simplificar o comércio transfronteiriço, financiamento comercial e liquidações de câmbio (FX).