No início do caminho, tudo parecia simples.

Um pequeno montante, algumas transações, e um lucro modesto, mas satisfatório.

O dia passa, depois a semana, depois o mês... e forma-se uma sensação interna de que o controle se tornou total, e que o mercado se tornou compreensível, podendo ser domado sempre que quisermos.

Os meses passaram, e os lucros se acumularam silenciosamente. Não vieram de uma só vez, mas foram o resultado de paciência, espera e a evitação de muitas oportunidades que pareciam atraentes, mas não eram seguras. Um ano inteiro de cautela, de entradas calculadas, e de saídas antecipadas às vezes, para que o que foi acumulado não se perdesse.

Então veio aquela operação.

Não parecia diferente à primeira vista. A mesma ferramenta, o mesmo timing, a mesma plataforma. Mas o que era diferente era a sensação. Confiança excessiva, pressa, e um desejo de ganhar mais rápido do que o habitual. O stop loss não foi ajustado corretamente, e o primeiro sinal de alerta foi ignorado com a justificativa de que o mercado 'voltaria'.

Não mais.

Os minutos se transformaram em tensão, a tensão em negação, e a negação em mais uma decisão errada. Uma operação foi aberta para compensar a primeira, depois outra para corrigir a segunda. Em pouco tempo, o que foi acumulado durante um ano inteiro desapareceu, como se o longo esforço não fosse mais do que um número na tela, passível de desaparecer com o toque de um botão.

Naquele momento, a perda não era apenas financeira. Era uma lição dura sobre si mesmo antes do mercado. Sobre que o maior risco para o trader não é o gráfico, mas sim o que ele sente quando pensa que se tornou maior do que o erro.

A negociação não recompensa apenas a inteligência, nem a experiência sozinha, mas sim a disciplina. E quem não protege seus lucros, os perde. E quem menospreza uma única operação, pode descobrir que foi o suficiente para apagar um ano inteiro de paciência.