O tempo na tela do celular ainda está pulando, já passou da meia-noite.
Quanto mais barulhento o ambiente, mais sinto que estou assistindo a um filme mudo que não tem a ver comigo. Aquela empolgação de recomeço no Ano Novo já foi desgastada por dias medíocres.
Todos nós mudamos. Antigamente, se alguém ousasse mostrar descontentamento, seja o chefe ou o destino, a primeira reação seria virar a mesa, confrontar, agir como se não houvesse problema em recomeçar. E agora? As palavras ficam presas na garganta, o copo balança três vezes, e no final se transforma em uma frase educada, tudo bem, recebido.
Essa mudança, alguns dizem que é amadurecimento, outros dizem que é entender a vida. Mas eu sempre sinto que isso não é uma reconciliação consigo mesmo, mas sim uma rendição à vida.
Escondemos a espada não porque não precisamos nos defender, mas porque temos medo do barulho ao desenfundá-la, que poderia acordar aquele eu ferido que finalmente conseguiu dormir.
Se nesse cubículo de concreto e aço não conseguimos nos mover, então vamos trocar de cenário.
Não veja a viagem apenas como uma forma de se distrair, é uma oportunidade de recuperar o seu espírito combativo. Vá ver aquelas montanhas e rios que não foram domesticados, sinta o vento que não se importa com a opinião de ninguém. Em uma cidade desconhecida, ninguém sabe quem você é, a quem você pertence, você pertence apenas a si mesmo.
Quando as solas dos pés se encherem de bolhas, quando você estiver ofegante no topo da montanha, aquela coragem que não teme nada, talvez consiga fluir para sua cabeça.
Seguir o próprio coração, essas quatro palavras são muito valiosas, mas você pode pagar por isso.
Se neste exato momento, você também acha que o copo em suas mãos não é forte o suficiente, então compre um bilhete em seu coração.