Por que o ouro, a prata, o dólar americano e o Bitcoin estão subindo juntos? Isso certamente não é uma coincidência, nem é caos no mercado. O único sinal por trás disso é que o capital está começando a temer.
Quando os investidores já não acreditam que um único resultado ocorrerá, eles param de apostar e passam a se proteger em todos os lugares. Nesse momento, o mercado não está negociando crescimento ou inflação, mas risco e incerteza. Níveis elevados de dívida, instabilidade geopolítica, alavancagem crescente no sistema financeiro. Ninguém sabe o que vai colapsar primeiro.
A alta do dólar americano se deve ao aumento da pressão sobre liquidez e exigências de margem. O ouro e a prata estão subindo porque a confiança em moedas fiduciárias e nas balanças dos governos está sendo continuamente corroída. O Bitcoin está subindo porque a disciplina monetária de longo prazo e a credibilidade das instituições financeiras estão enfraquecendo. Isso não é otimismo; é uma postura defensiva.
Muitos acreditam que um dólar forte deveria suprimir o ouro e o Bitcoin. Mas essa lógica só se aplica em mercados calmos. Em mercados sob pressão, um dólar forte reflete a pressão atual, enquanto o ouro e o Bitcoin estão precificando o que pode acontecer a seguir — respostas políticas, injeções de liquidez, erosão do poder de compra a longo prazo. Isso não é uma contradição; é um atraso no tempo.
O Bitcoin já há muito tempo deixou de ser um ativo de risco puro. Agora, com ETFs e participação institucional, o Bitcoin está cada vez mais atuando como um hedge contra riscos sistêmicos, falhas de política e desvalorização de moedas. Por isso, pode subir junto com o ouro, e até correr paralelamente a um dólar forte.
O verdadeiro risco não é agora, mas mais tarde. Se a liquidez apertar repentinamente, o dólar pode disparar, enquanto o Bitcoin e a prata enfrentarão vendas em curto prazo. Por outro lado, se as políticas se tornarem mais moderadas e a liquidez retornar, o dólar enfraquecerá, e o Bitcoin, juntamente com os metais preciosos, pode entrar em uma segunda onda mais forte de ganhos.