O tribunal de Kiev analisou a questão da medida cautelar em relação à ex-primeira-ministra da Ucrânia e líder do partido "Batkivshchyna", Yulia Tymoshenko, que está sendo processada por possível suborno de deputados da Verkhovna Rada. Ao final da audiência, o tribunal decidiu libertá-la sob fiança no valor de 33,3 milhões de grivnas, o que equivale a aproximadamente 765 mil dólares americanos.
Nesse sentido, a parte acusatória insistiu em uma medida financeira mais rigorosa — uma fiança de 50 milhões de grivnas (cerca de 1,4 milhão de dólares), e também pediu ao tribunal para impor a Tymoshenko uma série de restrições processuais adicionais. Em particular, a procuradoria exigia que ela se apresentasse a cada convocação das autoridades investigativas, não deixasse os limites de Kiev e da região de Kiev sem autorização, notificasse pontualmente sobre a mudança de residência ou trabalho, e também se abstivesse de contatos com pessoas que possam estar envolvidas no caso em investigação.
Na véspera da decisão judicial, Yulia Tymoshenko afirmou que suas contas bancárias já estavam bloqueadas, o que a impede, na prática, de pagar a fiança estabelecida. Em suas redes sociais, ela comentou emocionalmente a situação, chamando o que está acontecendo de absurdo. Segundo suas palavras, o paradoxo é que ela pretendia pagar a fiança por, como considera, um caso político encomendado com recursos recebidos anteriormente como compensação por perseguições políticas, mas isso é impossível devido ao bloqueio prévio de contas, realizado ainda antes da decisão judicial.
Tymoshenko categoricamente nega todas as acusações feitas contra ela e insiste que o novo caso criminal é parte de uma pressão política sistemática, com a qual, segundo suas alegações, ela tem lidado ao longo de toda a sua carreira política. Ela também expressou a opinião de que esta investigação pode estar relacionada à preparação para as próximas eleições. Segundo suas palavras, dá a impressão de que a campanha eleitoral começará antes do esperado, e as ações das autoridades podem indicar uma tentativa de eliminar potenciais concorrentes políticos.
A essência das acusações
13 de janeiro, o Escritório Nacional de Luta Contra a Corrupção da Ucrânia (НАБУ) e a Procuradoria Anticorrupcional Especializada (САП) informaram sobre a revelação do líder de uma das facções parlamentares, suspeito de atividades corruptas. De acordo com as investigações, este político supostamente ofereceu aos deputados da Verkhovna Rada uma recompensa em dinheiro por votar "a favor" ou "contra" certos projetos de lei.
Já no dia seguinte, a suspeita foi oficialmente apresentada a Yulia Tymoshenko como líder da facção do partido "Batkivshchyna" no parlamento. Ela é acusada de oferecer vantagens indevidas a um funcionário público (parte 4 do artigo 369 do Código Penal da Ucrânia). Caso seja considerada culpada sob este artigo, a ex-primeira-ministra pode enfrentar uma pena de prisão de cinco a dez anos.
