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Maria Antonieta — como uma heroína de filme, lançada em um mundo estranho sem roteiro. Nascida em Viena, entre ouro e protocolos dos Habsburgos, onde a ensinaram a sorrir, dançar e ser moeda de troca na política. Aos quatorze anos, foi enviada à França — como noiva, aliança, contrato vivo. Versalhes a recebeu com um brilho frio: cerimônias intermináveis, intrigas da corte e multidões de olhos observando cada gesto.
A jovem rainha buscava ar — encontrava emoção. Cartas, bailes, mascaradas, jogos pastorais na “vida simples”, que era mais valiosa do que a verdadeira pobreza. O povo passava fome, enquanto a corte ria. Acusavam-na de tudo: de extravagância, de indiferença, de conspiração. Muitas vezes injustamente — mas a reputação já vivia sua própria vida.
A revolução chegou com uma montagem abrupta: dos espelhos de Versalhes — para as paredes cinzentas das Tuileries, da coroa — para o tribunal. Tranquila, quase orgulhosa, Maria Antonieta subiu ao cadafalso, tornando-se símbolo de uma época que não ouviu o clamor da multidão a tempo.
Moral para a cripta: se você vive em uma bolha e ignora a realidade, o mercado — como a revolução: chegará de repente e sem piedade.
