Deixe-me começar com uma pergunta: se você vive ou trabalha na África, qual palavra única você usaria para descrever sua experiência do dia a dia?

Estranho? Divertido? Tedioso?

Hoje, vamos com uma palavra: disfunção.

 

Quando a Disfunção se Torna o Padrão

Em grandes partes da África, a disfunção não é uma anomalia, é a norma. Isso pode soar provocativo, mas para muitos no terreno, é apenas a realidade.

Considere alguns exemplos:

  • Cerca de 70% dos africanos se automedicam sem ver um médico, contornando completamente os cuidados de saúde formais.

  • Na África do Sul, 80% das transações do dia a dia ainda são feitas em dinheiro, mesmo que opções de pagamento digital existam.

  • Cerca de 600 milhões de africanos ainda não têm acesso confiável à eletricidade.

Ao mesmo tempo, a inovação está aumentando: startups em saúde, fintech, energia e agricultura estão construindo soluções para esses próprios problemas. No entanto, a disfunção persiste.

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O Mercado Que Nunca Foi Construído

Há um lugar na Nigéria chamado Mercado de Onitsha, um dos maiores mercados da África Ocidental, onde mercadorias no valor de cerca de $5 bilhões são comercializadas anualmente.

Mas este mercado não foi projetado, ele emergiu. Comerciantes preencheram espaços organicamente, levando a vielas superlotadas, drenos bloqueados, fiação elétrica improvisada e um labirinto congestionado que funciona mais por instinto do que por planejamento.

Isso não é exclusivo de Onitsha. Cenas semelhantes ocorrem em mercados como Gikomba em Nairóbi e Ariaria na Nigéria, onde sistemas informais continuam porque simplesmente funcionam, mesmo que sejam caóticos.

Esses ambientes persistem não por ignorância, mas porque têm valor e familiaridade, mesmo que sejam arriscados ou ineficientes.

Por que a Inovação Tradicional Tem Dificuldades

Pegue a Jumia como exemplo. Quando foi lançada em 2009, prometeu levar o comércio para o online, tirando as pessoas de mercados bagunçados e levando-as para a conveniência do comércio eletrônico.

Mais de uma década depois, o comércio eletrônico ainda representa menos de 3% do varejo na maior parte da África, subindo para apenas cerca de 6% na Nigéria, o maior mercado da Jumia.

Para chegar lá, a Jumia teve que construir:

  • Sua própria rede logística porque os sistemas postais não eram confiáveis

  • Uma camada de pagamentos proprietária já que as ferrovias digitais estavam subdesenvolvidas

  • Um grande impulso de marketing para convencer as pessoas a confiar na compra online

Mesmo depois de tudo isso, os sistemas tradicionais e informais ainda superam porque são confiáveis, previsíveis e familiares.

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A Verdadeira Infraestrutura: Confiança

O que subjaz tanto da "disfunção" da África não são apenas sistemas ruins, mas a falta de confiança nos serviços formais.

O dinheiro ainda domina em muitos países porque oferece finalização. Uma vez que um pagamento é feito, está concluído. Não há transferência falhada ou reversão pendente.

Pesquisas também mostram baixos níveis de confiança em instituições e empresas, e muitos clientes temem taxas ocultas ou serviços ruins.

Então, em vez de mudar para uma nova solução, as pessoas permanecem com o que conhecem – mesmo quando é ineficiente ou arriscado.

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Disfunção Não É um Erro, É um Serviço

Chame isso de Disfunção como Serviço: redes de sistemas informais e improvisados que oferecem valor suficiente para superar novos entrantes frágeis.

Para um novo produto ter sucesso, ele não precisa apenas ser moderno, mas deve ser mais confiável e previsível do que os sistemas disfuncionais, mas familiares, que as pessoas já navegam diariamente.

As empresas que tiveram sucesso, como M-PESA ou Paystack, não substituíram os antigos métodos de imediato. Elas se encaixaram em comportamentos confiáveis, fazendo com que a nova opção parecesse mais segura e mais fácil do que a antiga.

A Conclusão

O maior concorrente para muitas startups africanas não é outra empresa – é a própria disfunção.

Para vencer, a inovação deve se concentrar em confiança, previsibilidade e entender como as pessoas já operam, não apenas em tecnologia.

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Este post foi adaptado deste post original.