Trump, parece, finalmente se apropriou e integrou em seu próprio modelo comportamental os padrões de Putin. Ao mesmo tempo, ele começou a implementá-los de uma forma um pouco mais madura, 'adulta' — como abreação. Ou seja, permitiu-se testar experimental e praticamente tendências agressivas por meio de intervenções políticas. Em outras palavras — aprendeu.
Assim, ele gradualmente legitima para si mesmo o poder — em seu papel político subjetivamente definido. O mesmo poder que anteriormente ele havia emprestado de Putin em uma forma simbólica de dependência que era inextricável, inicialmente neurótica, mas depois cada vez mais desorganizada.
Hoje, estamos observando uma fase de separação — a separação do 'descendente' da figura paterna, da qual a dependência não é mais necessária. Dentro da lógica psicodinâmica projetiva — bastante típica da psicopatologia do poder — esse processo é bem descrito através da metáfora edípica: após o insight do 'conhecimento da verdade', o filho não pode mais coexistir com o pai como fonte de onipotência.
Em tais cenários, a figura do pai é ou removida ou simbolicamente deslocada. Teoricamente, Trump poderia redirecionar essa imagem para Xi Jinping, mas isso é improvável: o líder chinês é intuitivamente equilibrado, mantém limites claros e não provoca esse tipo de identificação.
De qualquer forma, as tentativas de Trump de agir com métodos que lembram anexação ou apropriação agressiva de territórios de influência de outros indicam uma coisa: o 'filhote' saiu do ninho da KGB e pela primeira vez está experimentando a liberdade da dependência, na qual esteve por anos. E a libertação da adição sempre vem acompanhada de agressão retardada. A agressão forma motivos, motivos — ações.
O cenário concluído de tais atos já vimos: a Venezuela com seu isolamento do líder como forma de quebrar a vertical do poder; ou a 'opção ideal' — a Crimeia. Yanukovich, aliás, era para a Ucrânia um projeto idêntico.
Na Venezuela, parte do que foi planejado em Kiev 'em três dias' foi realizado.
Trump, talvez, não esteja ciente de toda essa dinâmica, mas de fato ele jogou ambiciosa e efetivamente contra Putin. Aqui é importante considerar o contexto: na Venezuela — um regime fraco, semelhante ao cubano, que já esgotou o interesse estratégico; na Ucrânia — um vetor de desenvolvimento pró-democrático, formado desde os tempos do Maidan, com uma sociedade civil ativa.
Além disso, provavelmente veremos Trump, tentando fortalecer suas próprias posições nos EUA (apesar da queda local nas pesquisas), começando a quebrar alavancas estratégicas e se apropriando de zonas de influência da Rússia e da China no mundo. Ele agirá como uma 'tampão' universal para todas as fissuras político-sociais que surgem naturalmente: identificará intuitivamente as brechas do sistema, entrando nelas com sua presença e transformando crises locais em 'vitórias' pessoais. Com o tempo, essas fissuras se tornarão divisões, onde ele mesmo será a principal alavanca.
Uma fissura potencialmente conveniente pode ser o Irã — mas ainda não é o momento. O fogo deve queimar até o fim.
Uma dinâmica semelhante já pode ser observada na Síria, onde, assim como no Iraque ou na Líbia, um vetor pró-democrático está se formando gradualmente. Erdogan poderia teoricamente assumir esse papel, mas ele é um sujeito político muito mais maduro e não busca o status de líder global.
Para referência.
A Líbia hoje é um sistema político transitório com um parlamento unicameral (Câmara dos Representantes), onde o verdadeiro poder é fragmentado entre vários centros. Não há uma democracia parlamentar liberal de tipo ocidental lá — é um campo de competição entre facções de poder. Aproximadamente assim começou também a Ucrânia após Yanukovich.
O Iraque tem um modelo mais claro: uma república parlamentar unitária conforme a constituição de 2005, mas com uma dinâmica interna única.
Em geral, Trump ainda ressoa com Putin em um nível subconsciente, mas age sempre em contrariedade às suas expectativas. Não é vantajoso para ele entrar em conflito aberto com sujeitos democráticos — isso é sentido internamente como um caminho disfuncional e perdedor. Ele cresceu em um ambiente democrático que, embora tenha deformado sua personalidade, deixou uma sensação básica de liberdade como norma.
E aqui — a zona cega de Putin. Ambos não percebem totalmente a diferença fundamental entre um regime personalista pró-socialista de tipo conformista e um sistema democrático, onde a subjetividade está embutida em cada cidadão. Putin antagoniza as democracias externamente; Trump não consegue consolidar plenamente a sociedade civil dentro do país, que já é livre por sua essência.
No final, vemos duas figuras rígidas, pouco adaptáveis, incapazes de profundas readaptações em um mundo em constante mudança. Para Trump, essencialmente, resta um caminho construtivo — repetir o cenário de pressão sobre Maduro, mas já em relação a Putin, liderando uma aliança democrática de forças (OTAN) e agindo indiretamente, 'com as mãos de outrem'. Nesse caso, ele realmente poderia reivindicar o Prêmio Nobel da Paz.
A questão é apenas se ele consegue sair de sua própria autoisolação e limitações pessoais.
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