De acordo com o mais recente Monitor de Tendências de Investimento Global da UNCTAD (No. 50), lançado em janeiro de 2026, o setor de centros de dados atraiu mais de $270 bilhões em FDI anunciados durante 2025. Este valor representa mais de 20% dos valores totais de projetos greenfield globais, posicionando os centros de dados como um dos principais destinos para novos investimentos transfronteiriços.

Impulsionado pela demanda explosiva por poder de computação em inteligência artificial, serviços em nuvem e conectividade digital avançada, esse influxo desempenhou um papel fundamental na elevação do FDI global total em 14%, para cerca de $1,6 trilhões em 2025—o primeiro notável ressurgimento após anos recentes de lentidão.

No entanto, a UNCTAD enfatiza que o aumento no título mascara a fragilidade. Grande parte do aumento resultou do maior direcionamento através de centros financeiros internacionais, enquanto a atividade subjacente central cresceu apenas cerca de 5% quando essas distorções são retiradas. Setores econômicos mais amplos enfrentaram ventos contrários, com quedas acentuadas em áreas sensíveis a tarifas e cadeias de suprimentos.

Principais Motores: IA e Tecnologias Intensivas em Capital

O relatório destaca uma mudança em direção a indústrias de alto valor e intensivas em ativos. Os centros de dados lideraram o grupo através de expansões de greenfield (cerca de $125 bilhões) e financiamento de projetos internacionais (cerca de $30 bilhões), à medida que as empresas correram para possuir e controlar a infraestrutura crítica de IA, em vez de depender de modelos tradicionais de telecomunicações.

Os projetos de semicondutores também aumentaram 35%, apoiados por mudanças geopolíticas na cadeia de suprimentos e pela necessidade de chips de ponta que alimentam sistemas de IA.

Em contraste:

  • Os valores de greenfield de energia renovável caíram 28% em meio à incerteza política e reavaliação de riscos.

  • As telecomunicações, como um todo, superaram as renováveis pela primeira vez, em grande parte graças ao impulso dos centros de dados.

  • Muitos setores tradicionais de manufatura (têxteis, eletrônicos, máquinas) viram o número de projetos despencar 25%.

A concentração geográfica levanta preocupações

O capital de centros de dados continua altamente concentrado em mercados selecionados. Os principais beneficiários em 2025 (com base nos dados dos primeiros três trimestres) incluíram:

  • França: $69 bilhões

  • Estados Unidos: $29 bilhões

  • República da Coreia: $21 bilhões

  • Brasil: $10 bilhões

  • Espanha: $9 bilhões

  • Tailândia: $9 bilhões

  • Índia: $7 bilhões

As economias desenvolvidas absorveram uma parte desproporcional, com os fluxos de IED saltando 43% para $728 bilhões. A União Europeia viu um aumento de 56%, reforçado por transações focadas em tecnologia. As economias em desenvolvimento, por outro lado, experimentaram uma leve queda de 2% para $877 bilhões, e a maioria dos países menos desenvolvidos viu tendências estáveis ou em declínio.

Essa polarização limita a difusão de tecnologia e os efeitos econômicos, à medida que os investimentos se concentram em regiões avançadas com redes elétricas robustas, apoio regulatório e pools de talentos.

Olhando para o futuro: Rumo a um impacto de desenvolvimento mais amplo

O próximo Fórum Mundial de Investimentos em Doha (outubro de 2026), com o tema “Investindo no futuro”, reunirá líderes globais para abordar esses desequilíbrios. As discussões se concentrarão em canalizar capital para áreas negligenciadas, preencher lacunas de financiamento e garantir que setores estratégicos, como infraestrutura digital, contribuam de forma mais equitativa para o crescimento sustentável.

Sem políticas deliberadas para diversificar fluxos e aumentar investimentos produtivos em mercados emergentes, o IED pode favorecer cada vez mais bolsões geográficos e setoriais restritos — reduzindo seu potencial de impulsionar o desenvolvimento inclusivo em todo o mundo.