A China está se aproximando dos Estados Unidos como o maior detentor de Bitcoin do mundo, de acordo com estimativas atualizadas de reservas controladas pelo governo — um desenvolvimento que destaca uma contradição surpreendente na política de ativos digitais de Pequim.
A mudança está ocorrendo apesar de a China manter uma proibição nacional ao comércio e mineração de criptomoedas, sublinhando como o Bitcoin detido pelo estado pode divergir acentuadamente da regulamentação visível ao público.
Principais conclusões:
A China está se aproximando — e pode em breve ultrapassar — os EUA em estimativas de holdings de Bitcoin.
Muito do Bitcoin da China acredita-se que se origina de apreensões de ativos e ações de aplicação da lei.
O desenvolvimento contrasta com a rígida proibição doméstica da China sobre atividades de criptomoedas.
Como a China Construíu Suas Reservas de Bitcoin
As reservas de Bitcoin da China são amplamente entendidas como resultado de apreensões de aplicação da lei em larga escala ligadas a atividades ilícitas, em vez de compras em mercado aberto. Ações de repressão de alto perfil nos últimos anos resultaram na apreensão de quantidades substanciais de Bitcoin pelas autoridades, que foram posteriormente consolidadas sob controle estatal.

Enquanto Pequim restringiu agressivamente o uso privado de criptomoedas, não liquidou todas as reservas de Bitcoin apreendidas, permitindo que as reservas acumulassem silenciosamente. Isso colocou a China entre os principais detentores governamentais de Bitcoin globalmente — uma posição que parece cada vez mais próxima de ultrapassar os Estados Unidos.
A Abordagem dos EUA: Apreensões, Vendas e Transparência
Os Estados Unidos também detêm uma quantidade significativa de Bitcoin, adquirida principalmente por meio de apreensões realizadas por agências federais. No entanto, ao contrário da China, as autoridades dos EUA frequentemente optaram por leiloar ou vender partes dessas reservas, retornando os recursos ao Tesouro.
Essa diferença na política resultou em um equilíbrio mais dinâmico dos EUA ao longo do tempo, enquanto as reservas da China parecem comparativamente estáticas — e potencialmente crescendo em relação às reservas dos EUA à medida que menos moedas são vendidas.
Uma Contradição Estratégica
A posição crescente do Bitcoin da China contrasta fortemente com sua postura oficial sobre criptomoedas. Enquanto o país promove finanças digitais controladas pelo estado por meio de suas iniciativas de moeda digital do banco central, continua a proibir criptomoedas descentralizadas para uso público.
No entanto, a existência de grandes reservas de Bitcoin sugere que, a nível estatal, o Bitcoin é tratado menos como um ativo proibido e mais como um recurso financeiro estratégico — mesmo que permaneça fora dos limites para os cidadãos.
Essa abordagem de dupla via destaca uma realidade mais ampla na política global de criptomoedas: os governos podem desencorajar publicamente a adoção enquanto mantêm privadamente a exposição.
Por que isso importa
O Bitcoin mantido pelo governo tem implicações além do simbolismo. Grandes reservas estatais podem influenciar percepções de mercado, debates políticos e até mesmo narrativas geopolíticas em torno da soberania monetária e ativos digitais.
Se a China eventualmente ultrapassar os EUA como o maior detentor governamental de Bitcoin, isso reforçaria o papel do Bitcoin como um ativo estratégico — um que transcende posições ideológicas sobre a adoção de criptomoedas.
Por enquanto, o desenvolvimento serve como um lembrete de que os detentores mais significativos de Bitcoin são frequentemente estados, não traders, e que a política oficial nem sempre conta a história completa de como os governos interagem com ativos digitais nos bastidores.