Acordo Comercial EU-Mercosul se Aproxima do Lançamento Provisório Apesar de Desafios no Parlamento e no Judiciário

Após mais de 25 anos de negociações, a União Europeia e o bloco Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) avançaram com seu histórico acordo comercial — mesmo com a forte resistência política e obstáculos legais ameaçando sua implementação total.

No início de janeiro, o Conselho da UE endossou formalmente o Acordo de Parceria UE-Mercosul e o Acordo de Comércio Provisório, permitindo que a UE assinasse e começasse a aplicar partes-chave do acordo de forma provisória — como reduções tarifárias e medidas de liberalização comercial — antes da ratificação completa. Essa abordagem provisória visa capturar os benefícios econômicos mais cedo, enquanto os Estados-membros completam os procedimentos de aprovação nacional.

No entanto, o acordo agora enfrenta grandes batalhas políticas:

O Parlamento Europeu votou de forma apertada para remeter o acordo ao Tribunal de Justiça da UE (TJUE) para avaliar sua compatibilidade com os tratados da UE — uma medida que deve atrasar a ratificação total em cerca de 18–24 meses. Essa remissão ocorreu em meio à oposição de eurodeputados preocupados com questões legais, ambientais e de proteção dos agricultores.

Objeções fortes vieram da França, Irlanda e outros Estados-membros preocupados com a concorrência e padrões agrícolas, mesmo enquanto apoiadores pedem aplicação provisória para evitar mais atrasos e impulsionar o comércio UE-Mercosul.

Apesar dessas discordâncias, os líderes da UE estão ponderando a implementação temporária das regras comerciais — essencialmente permitindo que partes do acordo interino entrem em vigor antes do consentimento parlamentar completo — para evitar arquivar indefinidamente o acordo após décadas de negociações.