
O índice KOSPI sobe 5,63% e o ouro dispara 4%, com os mercados asiáticos se recuperando da maior queda em dois dias desde abril.
Compradores chineses lotam o mercado de ouro de Shenzhen antes do Ano Novo Lunar, dando suporte crucial à recuperação dos metais preciosos.
O Bitcoin se recupera 4%, chegando a US$ 78.899, mas sua queda semanal de 12% é o dobro da queda de 5% do ouro, estendendo o desempenho inferior desde o final de 2024.
As ações asiáticas e os metais preciosos apresentaram uma forte recuperação na terça-feira, após a maior queda em dois dias desde abril, mas o Bitcoin continua atrasado em sua recuperação.
A divergência destaca uma tendência persistente desde o final de 2025: os ativos tradicionais continuam a atrair capital, enquanto as criptomoedas lutam para acompanhar o ritmo.
Mercados asiáticos registram fortes ganhos
O índice MSCI Ásia-Pacífico subiu 2,2%, recuperando a maior parte das perdas de segunda-feira. O KOSPI da Coreia do Sul liderou a região com uma alta de mais de 5,63%, seguido pelo Nikkei 225 do Japão, com 3,90%, e pelo Sensex da Índia, com 2,70%.

A Coreia do Sul, que analistas de mercado descrevem como o índice de ações com melhor desempenho do mundo este ano, viu seu mercado se recuperar após a queda acentuada de segunda-feira. As ações de tecnologia subiram em toda a região, com os futuros do Nasdaq 100 também em alta depois que a Palantir divulgou uma perspectiva de vendas melhor do que o esperado.
Os índices Hang Seng e Shanghai Composite de Hong Kong também fecharam em alta, com ganhos de 0,21% e 0,38%, respectivamente, marcando uma recuperação em toda a região.
Recuperação de perdas em ouro e prata
O ouro subiu 3,25%, para US$ 4.810 a onça, enquanto a prata disparou 8%, para mais de US$ 83, recuperando parte das perdas após uma alta recorde que se desfez abruptamente no final da semana passada.
Os metais preciosos atingiram recordes históricos no mês passado, em meio a novas preocupações com a instabilidade geopolítica, a desvalorização da moeda e as ameaças à independência do Federal Reserve. Uma onda de compras por especuladores chineses impulsionou a alta antes de ela se reverter na sexta-feira.
Os compradores chineses deram suporte à recuperação. No fim de semana, compradores lotaram o maior mercado de ouro do país, em Shenzhen, para estocar joias e barras de ouro antes do feriado do Ano Novo Lunar, que começa em 16 de fevereiro.
O Deutsche Bank manteve sua previsão de que o ouro subirá para US$ 6.000 a onça, enquanto a Pepperstone observou que os fundamentos que sustentam o ouro permanecem praticamente inalterados desde a correção.
Bitcoin fica para trás na recuperação
O Bitcoin recuperou 4% em 24 horas, chegando a US$ 78.899, praticamente igualando o ganho diário do ouro. No entanto, o panorama semanal revela uma história diferente.
Ao longo de sete dias, o Bitcoin caiu 12,1%, mais que o dobro da queda de 5,06% do ouro no mesmo período. A principal criptomoeda caiu de mais de US$ 92.000 para menos de US$ 75.000 antes de se recuperar para os níveis atuais.

Esse padrão ecoa uma tendência que surgiu no final de 2025, quando os investidores de varejo coreanos migraram de criptomoedas para ações, à medida que o KOSPI atingia recordes históricos. Naquela época,
o volume de negociação nas cinco principais corretoras de criptomoedas da Coreia despencou mais de 80%, enquanto o mercado de ações subiu 71,8% no acumulado do ano.
A divergência sugere que, embora as criptomoedas estejam participando da recuperação mais ampla de ativos de risco, elas continuam a apresentar desempenho inferior aos ativos tradicionais tanto na magnitude dos ganhos quanto na velocidade da recuperação.
O que vem a seguir
Os analistas continuam cautelosos quanto a prever um fundo do poço. Alguns alertam que tentar pegar a faca caindo continua arriscado e que os investidores devem ficar atentos ao risco de um repique de gato morto, enquanto outros caracterizam a movimentação do preço da commodity mais como uma liquidação de posições alavancadas do que uma mudança nos fundamentos, considerando-a um mercado para observar vulnerabilidades e extremos.
Para o Bitcoin, a questão principal é se ele conseguirá reduzir a diferença de desempenho em relação aos ativos tradicionais ou se o padrão de desempenho relativamente inferior persistirá, como vem acontecendo desde o final de 2024.
