O ouro dispara para $4,400 enquanto os BRICS impulsionam a desdolarização — o que os mercados de criptomoedas devem observar. O ouro subiu para um recorde histórico de $4,400 por onça em 19 de dezembro de 2025, encerrando um ano em que o metal subiu mais de 60% — seu melhor desempenho anual desde 1979. Esse marco reflete mais do que apenas expectativas de cortes nas taxas nos EUA: é também uma consequência direta de uma mudança global acelerada para longe do dólar, liderada em grande parte por movimentos coordenados do bloco BRICS. Por que isso importa Os países do BRICS têm adicionado agressivamente ouro físico às suas reservas e construído infraestrutura para liquidar comércio fora de sistemas denominados em dólar. O bloco agora possui mais de 6,000 toneladas de ouro, e a compra por bancos centrais tem sido incessante, mesmo com os preços atingindo recordes. Somente em 2025, os bancos centrais do BRICS adquiriram aproximadamente 800 toneladas métricas — cerca de $105 bilhões a preços atuais — e as compras continuaram ao longo do ano. Por exemplo, Brasil, Rússia e China compraram quase 20 toneladas em setembro de 2025, gastando cerca de $2.54 bilhões, apesar dos preços elevados. Um novo instrumento de liquidação digital respaldado por ouro No final de 2025, os BRICS introduziram uma Unidade digital respaldada por ouro para comércio transfronteiriço. Cada Unidade é atrelada a 1 grama de ouro e é respaldada por uma mistura de 40% de ouro físico e 60% de moedas nacionais do BRICS. A Unidade foi projetada para contornar canais de pagamento dominados pelo dólar, representando uma mudança estrutural na forma como esses países planejam transacionar internacionalmente. Para os mercados de criptomoedas, isso se assemelha a uma “stablecoin” híbrida apoiada pelo estado — valor tokenizado com um âncora de ativo sólido e respaldo fiduciário — e pode acelerar a demanda por commodities tokenizadas e trilhos alternativos. Concentração e acumulação A Rússia detém aproximadamente 2,336 toneladas de ouro em suas reservas (reportadas como representando mais de 40% de sua própria composição de reservas), enquanto a China possui cerca de 2,298 toneladas. Juntas, esses dois países controlam aproximadamente 74% do estoque de ouro do BRICS, sublinhando quão estrategicamente concentradas estão as holdings do bloco. Composição de reservas e sentimento A participação do ouro nas reservas totais do BRICS aumentou rapidamente — dobrando de 6.4% para 12.9% até o Q3 de 2025. O Conselho Mundial do Ouro descobriu que 73% dos banqueiros centrais globais agora esperam que a participação do dólar nas reservas globais caia nos próximos cinco anos, e 43% dizem que planejam aumentar as holdings de ouro. Como disse o investidor canadense Frank Giustra: “Agora estamos, acredite ou não, na era do dinheiro sólido. Se você possui ouro em papel, você não possui ouro. Quando a crise chegar, ele não estará lá.” Fatores macroeconômicos e previsões O rali do ouro em 2025 foi impulsionado pela compra persistente de bancos centrais, aumento das tensões geopolíticas e a precificação de cortes esperados nas taxas da Reserva Federal (os mercados estavam considerando dois cortes em 2026 na época). Grandes bancos atualizaram suas previsões: o Goldman Sachs elevou sua previsão de dezembro de 2026 para $4,900/oz, o Bank of America visou $5,000, e o J.P. Morgan sugeriu uma alta semelhante. Natasha Kaneva, chefe de Estratégia de Commodities Globais do J.P. Morgan, observou que a diversificação oficial de reservas em ouro “ainda tem mais a percorrer”, e espera que os preços avancem em direção a $5,000/oz até o final de 2026. Erosão da dominância do dólar A participação do dólar nas reservas globais de câmbio estrangeiro caiu para 56.32% no Q2 de 2025 — seu nível mais baixo em pelo menos três décadas e uma queda acentuada de mais de 70% no início dos anos 2000. Além de compras simples, os BRICS estão construindo infraestrutura institucional para apoiar um sistema multipolar: em outubro de 2025, lançaram a Bolsa de Metais Preciosos do BRICS, uma plataforma de negociação independente para ouro, platina e terras raras destinada a mudar a descoberta de preços longe de locais ocidentais, como os mercados de metais preciosos de Londres. O que isso significa para criptomoedas e mercados - A Unidade respaldada por ouro do BRICS funciona como um token de liquidação digital, respaldado por ativos — um análogo de nível estatal ao ouro tokenizado e stablecoins regulamentadas. Isso poderia mudar a dinâmica de liquidez transfronteiriça e reduzir a demanda por trilhos de liquidação denominados em dólar. - A demanda persistente dos bancos centrais por ouro físico fortalece o caso para instrumentos de ouro tokenizados e representações regulamentadas de bullion, potencialmente criando rampas de acesso entre reservas tradicionais e liquidez cripto. - A crescente erosão da dominância do dólar e novos sistemas de liquidação podem aumentar a volatilidade nos mercados de câmbio e cripto, e criar novos nichos para instrumentos digitais respaldados por ativos emitidos por soberanos ou consórcios. Conclusão O recorde do ouro a $4,400 é um sinal de que o panorama das reservas globais está mudando. À medida que os BRICS acumulam metal físico e lançam ferramentas de liquidação digital respaldadas por ouro, o movimento em direção à desdolarização não é apenas retórico — está sendo operacionalizado. Para os participantes do cripto, isso abre tanto riscos quanto oportunidades: novos ativos digitais apoiados pelo estado e commodities tokenizadas podem remodelar pagamentos transfronteiriços e o papel de instrumentos vinculados ao dólar em portfólios. Fique atento aos lançamentos institucionais do BRICS, fluxos de compras dos bancos centrais e como os mercados tradicionais de bullion se conectam aos mercados tokenizados — esses desenvolvimentos ajudarão a determinar se os novos máximos do ouro são um pico transitório ou a base de uma mudança estrutural duradoura.