
Na conferência de desenvolvedores de Ethereum$ETH lá em Denver, o povo tava discutindo como seguir firme mesmo com o mercado em baixa e como usar a blockchain pra dar mais força pros agentes de inteligência artificial. Mas teve um painel que chamou atenção: será que o Bitcoin aguenta firme num mundo com computador quântico?
O assunto foi direto: o que que pode quebrar primeiro. Hunter Beast, que ajudou a escrever a proposta BIP 360 pra resolver esse trem do “dilema quântico”, explicou que a confusão começa no algoritmo de hash do Bitcoin$BTC .
Ele disse assim: “Olha, o SHA-256 é tão difícil que nem o maior computador quântico que a gente imaginar dá conta. Pra quebrar isso, precisaria de uma máquina maior que a Lua!”.
Esse algoritmo de busca quântica, criado pelo Lov Grover em 1996, acelera a força bruta e reduz a segurança do hash. Mas Beast garantiu: “Isso não preocupa nos próximos cinco anos. O que preocupa são as assinaturas digitais — aí entra o algoritmo de Shor”.
Esse tal do Shor, inventado em 1994, consegue mexer com a matemática da criptografia de chave pública. Como o Bitcoin usa curva elíptica pra assinatura digital, se aparecer um computador quântico forte, dá pra descobrir a chave privada só de olhar a pública. Aí já viu: quem tiver a chave pública poderia tomar posse do Bitcoin dos outros.
Alex Pruden, CEO da Project Eleven, explicou bem: “No Bitcoin, ter propriedade é conseguir assinar digitalmente. Se o Shor funcionar, só de saber a chave pública já dá pra reconstruir a privada. Ou seja, eu poderia pegar seu Bitcoin só com essa informação”.
Por enquanto, as máquinas não dão conta disso. Mas Pruden lembrou que Google, IBM e outras empresas tão avançando rápido. Em dezembro de 2024, o Google mostrou o Willow, um computador quântico que provou que dá pra escalar esse trem. Muita gente duvidava, mas agora já não dá pra duvidar mais.
O setor cripto tá se preparando. A Fundação Ethereum montou uma equipe de segurança pós-quântica, e a Coinbase criou um conselho pra estudar os riscos. O Brian Armstrong, CEO da Coinbase, disse que é “solucionável”, mas os pesquisadores ainda discutem se a ameaça é urgente ou não.
As estimativas também mudaram. Em 2021, falavam em 20 milhões de qubits pra quebrar o esquema do Bitcoin. Semana passada, a Iceberg Quantum disse que talvez baste 100 mil qubits. E segundo a Project Eleven, já tem risco: mais de 6,9 milhões de bitcoins tão em endereços com chave pública exposta, incluindo 1,7 milhão minerado nos primeiros anos.
Isabel Foxen Duke, que também escreveu o BIP 360, lembrou que o problema não é só técnico. Tem moeda antiga que talvez nunca seja migrada pra endereço seguro, inclusive aquelas que dizem ser do próprio Satoshi Nakamoto. Tem até proposta de congelar essas moedas, mas isso é polêmico demais e difícil de conseguir consenso.
Ela alertou: se a computação quântica chegar antes de resolver esse trem, pode ser um desastre. Imagina 4 milhões de bitcoins caindo no mercado de uma vez só. Seria um baque enorme pro projeto Bitcoin, mesmo que já exista criptografia pós-quântica.